O Que "Meu Nome é Agneta" e Morar Fora Me Ensinaram Sobre Nunca Ser Tarde Demais para Se Reencontrar

Recentemente assisti ao filme Meu Nome é Agneta (disponível na Netflix, baseado no livro de Emma Hamberg). A história acompanha uma mulher que, aos 49 anos, se sente estagnada, invisível e presa a uma rotina automática. Em uma decisão impulsiva, ela decide deixar a Suécia para trás e aceitar um trabalho na França. O que ela encontra lá não é exatamente o que esperava, mas é justamente o imprevisível que a força a desperta de volta para a vida, pro riso e pra liberdade. Assistir a essa jornada me fez refletir profundamente sobre a minha própria caminhada pelo mundo. Mudar de país ou sair da zona de conforto não é sobre fugir de quem somos, mas sobre descobrir quem podemos ser quando nos permitimos tentar algo novo. 1. O Misto de Medo e Liberdade Assim como a personagem do filme sente aquele frio na barriga ao cruzar uma fronteira para o desconhecido, quem já morou fora conhece bem essa sensação. A primeira vez que saí do Brasil foi para fazer meu intercâmbio em Portugal — meu berço ance...

Revisitando meu Diário: O Voo e o Primeiro Pouso na Ilha Verde

Enfim, o dia 29 de setembro de 2010 chegou. Até aquele momento, tudo o que eu ia viver estava apenas no plano da imaginação, do sonho e da experiência alheia que eu lia nos blogs. Mas, quando chega a nossa vez, o mundo parece perder o chão. A realidade simplesmente não parecia real. Lembro-me de chorar muito antes de passar pelo portão de embarque. Eu estava extremamente sensível, com o peito exposto, mas tomei uma decisão ali mesmo: resolvi trancar as minhas inseguranças em uma caixa mental e seguir o meu coração, que sussurrava um único comando: “Vai”.

O dia do embarque foi uma correria. Saí de casa com quatro horas de antecedência para evitar qualquer imprevisto com o voo da KLM. Quando o avião decolou e cumpriu fielmente o horário, cruzei os céus sabendo que não havia mais volta. O voo foi excelente, mas o verdadeiro teste começou antes mesmo de sair do espaço aéreo brasileiro.

Sentaram-se ao meu lado um australiano e uma brasileira. O rapaz logo me cumprimentou em inglês e, naquele instante, o meu idioma nativo ficou para trás. Os comissários de bordo também falavam em inglês o tempo todo e eu precisei me virar para entender e ser entendida. Foi o meu primeiro banho de realidade com aquela língua que eu tanto temia; uma prática forçada, mas que correu bem e me mostrou que, de um jeito ou de outro, eu conseguiria me comunicar.

A primeira escala foi em Paris. O aeroporto Charles de Gaulle era imenso e confesso que fiquei meio perdida para encontrar o portão de embarque. Entre passos rápidos e placas em francês, me achei e embarquei para a perna final da viagem.

Pousei em Dublin às 11h20 da manhã. Por ser filha de português e possuir o passaporte europeu, a passagem pela imigração foi rápida e sem os interrogatórios que tanto assustam os estudantes. Bastou mostrar o documento para cruzar a fronteira. O aeroporto me pareceu pequeno e acolhedor. Do lado de fora, dividi um táxi com uma francesa até a Gardiner Street, no coração de Dublin 1, onde eu passaria os meus primeiros três dias hospedada no Abraham House, até conseguir uma residência estudantil.

Eu finalmente estava na Irlanda. Olhando pela janela daquele táxi, vendo as ruas cinzentas e os tijolos vermelhos de Dublin, lembrei-me de uma frase de Charles F. Kettering que havia guardado comigo: “Acredite e aja como se fosse impossível fracassar”.

Eu estava agindo. O primeiro solo havia sido pisado.




Comentários

  1. o custo parece ser menor fazendo estadia em hotel durante 1 semana, em comparacao a residencia estudamtil que custa em media 150 euro. Voce recomendaria?

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