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Temple Bar: Muito Além do Cartão-Postal

Quando pensamos em Dublin, a primeira imagem que costuma vir à mente é a fachada vermelha icônica do pub mais famoso da cidade. Mas, olhando para trás com a perspectiva de hoje, em 2026, entendo que o Temple Bar é muito mais do que um circuito turístico de cerveja cara; é um sobrevivente histórico que pulsa no coração da capital irlandesa. Situado na margem sul do Rio Liffey, o bairro é um dos poucos locais de Dublin que preservou quase intacta a sua planta medieval, caracterizada por ruas estreitas, sinuosas e pavimentadas com paralelepípedos. A origem do seu nome ainda divide opiniões: a hipótese mais provável é que derive da família Temple, que residia naquela região no século XVII, embora existam teorias de que tenha sido uma imitação do Temple Bar de Londres. O registro oficial do nome aparece pela primeira vez em um mapa datado de 1673. Durante o século XIX, a popularidade da região entrou em declínio lento e contínuo. Já no século XX, o Temple Bar sofria com a decadência urbana,...

Monasterevin: Um mergulho na história

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Monasterevin: A Veneza da Irlanda Monasterevin ( Mainistir Eimhín , em irlandês) é uma joia do Condado de Kildare que parece flutuar sobre as águas. Banhada pelo encontro do Rio Barrow com o Grand Canal , a cidade ganhou o apelido carinhoso de "Veneza da Irlanda" devido ao seu número extraordinário de pontes e canais. Situada a apenas 63 km de Dublin, é uma cidadezinha charmosa que preserva a elegância de sua arquitetura georgiana. Em 2006, sua população era de pouco mais de 3.000 habitantes, o que mantinha aquele clima acolhedor de interior que tanto me encantou durante o período em que vivi na vizinha Portarlington. Um Mergulho na História A alma de Monasterevin está ligada ao seu passado monástico. O nome da cidade deriva do Mosteiro de St. Eimhin (Evin), erguido no século VI. Séculos depois, no local onde existiram construções religiosas medievais, surgiu a imponente Moore Abbey (1607). Curiosidades que valem o registro: Moore Abbey: Esta mansão histórica, moderniza...

Aplicando pra Universidade Trinity College na Irlanda

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Olhando para trás, a minha história com a Trinity College ganhou um capítulo marcante em 2017. Eu estive naquele campus pela primeira vez em setembro de 2010, logo nos meus primeiros dias na Irlanda, durante meus passeios de familiarização pela cidade. Foi amor à primeira vista. Talvez tenha sido ali, naquele exato momento, que nasceu o meu sonho de estudar em uma universidade europeia. Naquela altura, contudo, eu estava apenas começando a trilhair meu caminho no aprendizado da língua inglesa; nem sequer cogitei a hipótese de me candidatar. Mas sinto que aquela atmosfera ficou guardada na minha caixinha de memórias. Anos mais tarde, quando eu estava estudando Psicologia na Universidade dos Açores, em Portugal, aquele sonho antigo voltou a pulsar. No início de janeiro de 2017, decidi aplicar para as universidades portuguesas e, paralelamente, também para a Trinity College. Eu estava tentando de todas as formas — cabíveis e incabíveis — realizar um intercâmbio naquele semestre. E, para m...

Trinity College: O Book of Kells

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Mais do que a arquitetura, o campus guarda um tesouro que transcende os séculos: o Book of Kells. Embora eu não tenha entrado para visitá-lo na época, a imponência da sua fama ecoa por toda a universidade. Trata-se de um manuscrito religioso com os quatro evangelhos — Marcos, Mateus, Lucas e João —, considerado uma das expressões mais gloriosas da arte celta e uma verdadeira relíquia da Europa Ocidental. Mesmo que o tempo tenha deixado marcas em suas páginas, os registros mostram que a delicadeza do design oferece um vislumbre fascinante da arte e da espiritualidade da Irlanda antiga. As ilustrações dos santos, entrelaçadas à vida de Cristo, são de uma riqueza visual impressionante. A trajetória do livro é uma saga à parte. Sua origem, que remonta ao século VI, é envolta em mistério, mas acredita-se que tenha nascido na Ilha de Iona, sob influência de São Columba. No século IX, foi levado ao mosteiro de Kells, no condado de Meath, onde sobreviveu a séculos de história — inclusive a um ...

Universidade Trinity College - Dublin

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Setembro de 2010. Lembro-me perfeitamente daquelas primeiras semanas em Dublin: uma mistura deliciosa de encantamento, frio na barriga e aquela urgência quase física de me situar no mapa e na vida daquela cidade nova. Entre um passeio de reconhecimento e outro, meus passos me guiaram até os portões de ferro da Trinity College. Eu não estava lá apenas para turistar; precisava oficializar minha presença no país e obter a minha primeira carteirinha de estudante, um pequeno pedaço de plástico que, para mim, parecia o passaporte definitivo para a minha nova identidade como intercambista. Passar por aqueles portões e deixar o burburinho comercial da Grafton Street para trás é como atravessar um portal no tempo. A Trinity College fica colada ao coração de Dublin, mas, uma vez dentro de suas muralhas de pedra, o ritmo do mundo muda. O som do trânsito dá lugar ao burburinho suave de estudantes do mundo inteiro, ao bater de asas das aves que cruzam os gramados impecáveis e ao eco de passos cruza...

Bastidores de uma Metamorfose: O que você vai encontrar no meu E-book?

Antes de darmos o primeiro passo rumo às terras irlandesas, preciso lhe contar como o e-book Jornada pela Irlanda nasceu. E trago uma novidade logo de início: a partir de amanhã, o livro digital estará em uma promoção especial com 2 dias de download totalmente gratuito na Amazon! Todo o conteúdo compilado nesta obra definitiva teve sua origem bem aqui, nas páginas deste blog de viagens. O texto segue fielmente a ordem cronológica e a essência dos relatos que escrevi no calor do momento, conforme as situações iam se desdobrando no meu dia a dia. Cada capítulo reflete exatamente o que eu estava vivendo, sentindo e descobrindo em 2010/2012. Optei por manter a estrutura original das postagens daquela época porque acredito que a maior riqueza de um intercâmbio não está no que contamos anos depois, com a poeira já assentada. A verdadeira magia está no impacto do choque cultural bruto, no frio na pele, nos tropeços do inglês e nas pequenas vitórias diárias que aconteciam exatamente na hora em...

Park St. Stephen’s Green - Dublin 2

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Há sempre um bom pretexto para caminhar pelos parques da Irlanda. Seja para caçar os raros raios de sol, mergulhar na leitura de um livro, caminhar sem rumo ou simplesmente deixar o pensamento fluir. O St. Stephen’s Green, localizado bem ao final da Grafton Street, em Dublin 2, é um dos refúgios mais antigos e adorados da cidade. O cenário é encantador: canteiros impecáveis, flores coloridas que mudam com as estações, estátuas históricas, um lago sereno e até um jardim sensorial projetado especialmente para deficientes visuais. É a pausa perfeita para o horário do almoço ou para relaxar logo após a aula. Para os amantes do cinema, um detalhe especial: logo na entrada, foi gravada uma das cenas marcantes do filme Once (Apenas Uma Vez). Visitei o parque logo nos meus primeiros dias em Dublin (2010) e retornei muitas outras vezes ao longo da minha jornada. Virou um verdadeiro oásis urbano no coração da capital — e com entrada gratuita. Recomendo fortemente a visita. 📸 Siga minha jornada ...

Intercâmbio para a Europa: Vale a Pena Fechar com Agência ou Ir por Conta Própria?

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Olá, queridos leitores! Quem planeja um intercâmbio sabe que a fase de pesquisas é uma verdadeira maratona. Anos atrás, uma colaboradora aqui do blog compartilhou um relato muito sincero sobre a experiência dela na época, ilustrando perfeitamente o que muitos passam ao tentar tirar esse sonho do papel:  "Optei por fazer intercâmbio por intermédio de uma agência. Fui a muitas antes de decidir... Cada agência ofereceu um tipo diferente de serviço, tinha agência que só faltava cobrar para eu sentar na cadeira deles. Também há as que dizem que as escolas com um preço mais acessível são ruins e tentam 'empurrar' o que é mais caro. Pior aquelas que quase te obrigam a fazer o seguro extra... Tem que ficar muito esperto, teve uma agência que como 'descontão especial' ia me dar o cartão de viagem (VTM), sendo que ele não tem custo nenhum acima de certa quantia. Depois de uma 'romaria', decidi por uma que me atendeu super bem, foi paciente e me passou o contato de al...

Raízes Além-Mar: A História de Onde Vim

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(Atenção: Contém um pequeno spoiler de mais um trecho do meu livro Vida Sobre Vidas! Relembrando que a obra está disponível na Amazon e é gratuita para assinantes do Kindle Unlimited / KDP Select!) Minha avó Celeste, aos 35 anos, viu-se diante de um destino que não escolheu, mas que se sentiu na obrigação de abraçar. Naquela época, uma mulher que não seguisse o marido era severamente malvista pela sociedade; o estigma do abandono pesava tanto quanto a saudade. Na década de 1950, as restrições eram tantas que uma mulher só podia viajar para fora do país se tivesse uma autorização por escrito do próprio marido. Um contraste profundo com os tempos de hoje, em que eu, com passaporte português ou não, já cruzei fronteiras e desbravei 18 países com total autonomia. Ela partiu um ano depois do marido, cruzando o oceano com seus dois filhos: minha tia e madrinha Lourdes, de sete anos, e meu pai, Joaquim, com apenas quatro. Mas Celeste não trazia apenas as crianças; carregava a ferida aberta de...

A Menina que Ouvia o Além-Mar

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(Atenção: Contém um pequeno spoiler de mais um trecho do meu livro Vida Sobre Vidas! Relembrando que a obra está disponível na Amazon e é gratuita para assinantes do Kindle Unlimited / KDP Select!) As histórias da vovó foram os alicerces do meu desejo de mundo. Por trinta anos, ouvi-a descrever, com minúcias sagradas, a cultura que ela deixou para trás: os familiares que eram lendas para mim, a vibração das danças, a força das crenças e a dignidade do que meu bisavô construiu em solo português. Aquelas repetições que eu tanto amava agiam como sementes. Enquanto o mundo via Portugal em revistas, livros de história ou documentários de TV, eu via a terra dos meus ancestrais através dos olhos dela. Foi ali, entre uma história e outra, que o meu desbravar começou; o meu coração já cruzava o oceano muito antes de eu pisar no aeroporto. Foi na virada do milênio, com o acesso à internet, que percebi que o sonho de conhecer minhas raízes era mais tangível do que eu poderia imaginar. Assim, em 2...