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Bewley's — O Café Mais Popular da Irlanda

Revisitar lugares que marcaram nossa trajetória é uma forma bonita de medir o tempo. Minha primeira memória no Bewley’s Cafe — localizado no número 78–79 da movimentada Grafton Street — remonta a 2011, em um domingo ensolarado em Dublin. Comecei o dia nessa cafeteria tão tradicional e sofisticada, onde enfrentei uma pequena fila para conseguir mesa, mas cada minuto de espera valeu a pena. Na época, foi lá que experimentei de forma marcante o clássico Irish Breakfast — uma refeição volumosa e substanciosa, composta por linguiças de porco, bacon em fatias, ovos, cogumelos, black e white pudding, acompanhados por torradas ou o tradicional soda bread e um bom chá. Anos mais tarde, ao retornar à Irlanda, fiz questão de voltar ao Bewley’s, desta vez para um jantar. Entrar ali novamente foi como reencontrar uma velha amizade. Fundado em 1927, o edifício multiandares é um verdadeiro patrimônio arquitetônico e cultural da capital. O espaço impressiona pela diversidade de ambientes e pela riquez...

Ovelhas na Irlanda: Muito Mais Que Um Cartão-Postal

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A ovelha é, sem dúvidas, um dos maiores símbolos da cultura e da paisagem irlandesa. Há quem diga que a população desses animais por lá passa do dobro do número de habitantes do país — diz a lenda urbana que chegam a cerca de 8 milhões, espalhadas pelos campos verdes e vales montanhosos. Se o número é exato ou não, pouco importa quando se está lá: elas realmente não passam despercebidas. Estão por toda parte, emoldurando os cenários da Irlanda, da Escócia e da Inglaterra, além de estamparem praticamente todas as vitrines de lojas de souvenirs. Lembro-me de ter levado canecas com estampa de ovelhinhas de presente para pessoas queridas no Brasil, de tão lindas e carismáticas que são. Para além do charme visual que encanta os visitantes, essas criaturas são as verdadeiras guardiãs da paisagem. Aquele tom de verde vivo e a vegetação perfeitamente "aparada" dos morros e falésias da ilha existem, em grande parte, graças ao pastoreio secular desses animais. Raças rústicas de montanh...

[2011] Jornada Pela Irlanda — Parte II: A Arte de Recomeçar

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Hoje dou início aos reposts desta segunda etapa da minha jornada. Reabrir esta memória me faz lembrar que nem toda partida precisa de grandes celebrações para ser inesquecível. Nesta segunda etapa, em mais uma despedida, não tive festinha nem fotografias. Passei o meu último final de semana no Brasil com uma amiga da época — cujas vidas, com o passar do tempo, seguiram caminhos diferentes. Fomos à praia e, na véspera da viagem, sentia aquele friozinho na barriga misturado com uma ansiedade enorme — uma sensação curiosa, pois, mesmo sabendo exatamente para onde estava indo, o ato de reembarcar sempre traz um mistério próprio. A viagem para a Irlanda acabou sendo muito agradável, em grande parte porque vim conversando com o passageiro que sentou ao meu lado. Ao pousar na França, perdi o voo de conexão para Dublin em Paris. Em vez de estresse, remarquei a passagem para o último voo do dia e aproveitei o imprevisto para fazer um passeio espontâneo por Paris na companhia desse meu novo amig...

[2011] Voltando para a Irlanda — A Decisão de Continuar

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(Há 15 anos, eu estava no Brasil arrumando as malas para retornar a Dublin no dia 08/08/2011!) Revisitar este registro de agosto de 2011 é como abrir uma cápsula do tempo e reencontrar a mim mesma no meio de caixas, malas e sentimentos divididos. Depois de 32 dias de férias no Brasil, a "boa vida" estava chegando ao fim - Leia Aqui!   Comprei minha passagem de retorno para o dia 08 de agosto de 2011, escolhendo novamente a KLM, partindo do Rio de Janeiro com escala em Paris, tanto pelo preço quanto pela qualidade do atendimento.  Paguei R$ 1.813,00 na passagem de ida e volta — uma diferença de R$ 359,00 em relação à primeira compra, quase um ano antes. Olhando para trás com a perspectiva de hoje, esse valor impressiona: atualmente, esse mesmo trecho não sai por menos de R$ 6.000,00 . Ao arrumar as malas pela segunda vez, notei o quanto eu já havia mudado: sabia exatamente o que era essencial e o que realmente iria precisar do outro lado do oceano. Aqueles dias no Brasil foram...

Filmes e Séries Gravados na Irlanda: 10 Produções Famosas e Seus Cenários

Olhando para trás, lembro de quando escrevi aqui no blog, lá em 2011, sobre como a Irlanda servia de cenário para produções incríveis. Naquela época, eu já me maravilhava ao ver na tela as paisagens por onde eu caminhava no meu dia a dia. Revisitando essa lista com o olhar de hoje, percebo o quanto o cinema e a televisão continuam capturando a alma, a melancolia e a beleza estonteante da Ilha Esmeralda. Hoje, faço um resgate daquela publicação original com novos olhares e trago também produções recentes que expandiram ainda mais a presença da Irlanda nas telas do mundo inteiro. Os Clássicos que Já Amávamos em 2011 Apenas Uma Vez (Once, 2007) Com um orçamento modesto de apenas 130 mil euros, este drama musical naturalista rodado nas ruas de Dublin é uma verdadeira joia. Protagonizado por Glen Hansard e Markéta Irglová, o filme conta a história de um músico de rua e uma imigrante tcheca que se conectam profundamente através da música. Além do sucesso de bilheteria e crítica, a tocante ...

Os Bastidores de Vikings: Como a Irlanda Deu Vida à Saga dos Nórdicos

Olá, leitores! Quem acompanhou o sucesso estrondoso da série Vikings pode até ter pensado que as paisagens geladas, os fiordes dramáticos e as florestas densas exibidas na tela ficavam na Escandinávia. Mas a verdade é que o verdadeiro "lar" da produção foi a Ilha Esmeralda! A grande maioria das filmagens da série — e também do seu spin-off, Vikings: Valhalla — teve como palco as paisagens deslumbrantes da Irlanda. Para quem ama viajar e explorar a história por trás das telas, entender por que a Irlanda foi escolhida para dar vida ao universo nórdico revela muito sobre a magia e a versatilidade deste país. Ashford Studios e o Condado de Wicklow: O Coração das Filmagens A base principal de produção da série foi o Ashford Studios, localizado no Condado de Wicklow, conhecido carinhosamente como o "Jardim da Irlanda". Foi lá que o vilarejo fictício de Kattegat foi construído e reconstruído ao longo das temporadas. Além dos cenários em estúdio, o Condado de Wicklow oferec...

[2011] Sentimentos no Brasil: Estereótipos, Choques e a Imagem do Nosso País

Olhando para trás, resgatei uma memória marcante de 2011, durante um período de férias no Rio de Janeiro. Em uma dessas ironias perfeitas que só o destino é capaz de orquestrar, os pais das crianças para as quais eu trabalhava na Irlanda vieram ao Brasil para participar de uma competição militar do Exército. O alojamento deles ficava na Vila Militar do Rio de Janeiro, por pura coincidência, muito próximo da minha casa naquela época e, ao saberem da minha presença na cidade, ligaram-me para marcar um reencontro. Assim que cheguei ao local combinado, a primeira pergunta deles revelou a força dos hábitos culturais: quiseram logo saber onde ficava o pub mais próximo. Sorri ao responder que ali não tínhamos o conceito de pub tradicional e, diante da resposta, pediram para que eu os levasse a um McDonald's. O restaurante mais acessível exigia uma viagem de cerca de 20 minutos de ônibus — um trajeto que atravessava um trecho da zona norte carioca distante dos cenários paradisíacos dos car...

A Outra Face da Ilha: O Resgate da Memória e da Dignidade em Tuam

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Olá, leitores. Viver e amar a Irlanda significa também encarar com respeito e empatia as feridas profundas que marcam o seu passado. Recentemente, notícias sobre os trabalhos de exumação no antigo lar religioso em Tuam, no Condado de Galway, voltaram a chocar o mundo. O resgate dos restos mortais de dezenas de bebês — em uma vala comum que pode abrigar quase 800 crianças — traz à tona um capítulo sombrio da história recente da ilha. Para quem acompanha o blog, sabe que a minha conexão com a Irlanda passa pelas paisagens, pela cultura e pelo afeto, mas é impossível ignorar como a sociedade irlandesa se transformou ao confrontar as marcas deixadas pelas antigas instituições de acolhimento. O Contexto Histórico: Os Mother and Baby Homes Entre as décadas de 1920 e 1960, a Irlanda viveu sob um forte estigma social em relação às mulheres que engravidavam fora do casamento. Muitas jovens eram enviadas pelo Estado ou por exigência social para instituições conhecidas como Mother and Baby Homes ...

Revisitando a Arte de Encerrar Ciclos e Aceitar as Metamorfoses da Vida

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Olá, leitores! Revisitando os arquivos da minha jornada e as memórias daquele período de intercâmbio, reencontrei uma reflexão profunda que marcou um dos momentos mais decisivos da minha história longe de casa. Naquele momento em que eu me preparava para uma pausa e um mês de férias no Brasil, tomada por dúvidas sobre os próximos passos e o futuro da viagem, eu relia um texto que sempre me acompanhou sobre a arte de encerrar ciclos e transformar o próprio destino: "Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicaçõe...

O Segredo e a Magia do Trevo de Três Folhas: O Símbolo Ancestral da Irlanda

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Olá, leitores! Se há um símbolo que traduz a alma da Irlanda em qualquer canto do planeta, é o famoso shamrock — o trevo de três folhas. Sendo este um dos posts mais lidos aqui do blog, decidi trazer uma atualização especial, unindo a história tradicional ao lado místico e espiritual que faz este país ser tão fascinante. Afinal, quem me conhece sabe que minha conexão com a Irlanda vai muito além das paisagens: sempre fui atraída pelo mistério e pelas energias que emanam desta terra! A Origem Mitológica e o Olhar dos Druidas Muito antes da chegada do cristianismo, os antigos druidas e sacerdotes celtas já olhavam para o trevo com profunda reverência. Para a cosmologia celta, o número três era considerado altamente sagrado e pleno de poder espiritual. Ele representava os ciclos da existência: Passado, Presente e Futuro; Terra, Mar e Céu; Corpo, Mente e Espírito. Os celtas acreditavam que a planta jovem de três folhas (cujo nome vem do gaélico seamróg) tinha o poder místico de prever o te...