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Sentimentos no Brasil: Estereótipos, Choques e a Imagem do Nosso País

Olhando para trás, resgatei uma memória marcante de 2011, durante um período de férias no Rio de Janeiro. Em uma dessas ironias perfeitas que só o destino é capaz de orquestrar, os pais das crianças para as quais eu trabalhava na Irlanda vieram ao Brasil para participar de uma competição militar do Exército. O alojamento deles ficava na Vila Militar do Rio de Janeiro, por pura coincidência, muito próximo da minha casa naquela época e, ao saberem da minha presença na cidade, ligaram-me para marcar um reencontro. Assim que cheguei ao local combinado, a primeira pergunta deles revelou a força dos hábitos culturais: quiseram logo saber onde ficava o pub mais próximo. Sorri ao responder que ali não tínhamos o conceito de pub tradicional e, diante da resposta, pediram para que eu os levasse a um McDonald's. O restaurante mais acessível exigia uma viagem de cerca de 20 minutos de ônibus — um trajeto que atravessava um trecho da zona norte carioca distante dos cenários paradisíacos dos car...

A Outra Face da Ilha: O Resgate da Memória e da Dignidade em Tuam

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Olá, leitores. Viver e amar a Irlanda significa também encarar com respeito e empatia as feridas profundas que marcam o seu passado. Recentemente, notícias sobre os trabalhos de exumação no antigo lar religioso em Tuam, no Condado de Galway, voltaram a chocar o mundo. O resgate dos restos mortais de dezenas de bebês — em uma vala comum que pode abrigar quase 800 crianças — traz à tona um capítulo sombrio da história recente da ilha. Para quem acompanha o blog, sabe que a minha conexão com a Irlanda passa pelas paisagens, pela cultura e pelo afeto, mas é impossível ignorar como a sociedade irlandesa se transformou ao confrontar as marcas deixadas pelas antigas instituições de acolhimento. O Contexto Histórico: Os Mother and Baby Homes Entre as décadas de 1920 e 1960, a Irlanda viveu sob um forte estigma social em relação às mulheres que engravidavam fora do casamento. Muitas jovens eram enviadas pelo Estado ou por exigência social para instituições conhecidas como Mother and Baby Homes ...

Revisitando a Arte de Encerrar Ciclos e Aceitar as Metamorfoses da Vida

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Olá, leitores! Revisitando os arquivos da minha jornada e as memórias daquele período de intercâmbio, reencontrei uma reflexão profunda que marcou um dos momentos mais decisivos da minha história longe de casa. Naquele momento em que eu me preparava para uma pausa e um mês de férias no Brasil, tomada por dúvidas sobre os próximos passos e o futuro da viagem, eu relia um texto que sempre me acompanhou sobre a arte de encerrar ciclos e transformar o próprio destino: "Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicaçõe...

O Segredo e a Magia do Trevo de Três Folhas: O Símbolo Ancestral da Irlanda

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Olá, leitores! Se há um símbolo que traduz a alma da Irlanda em qualquer canto do planeta, é o famoso shamrock — o trevo de três folhas. Sendo este um dos posts mais lidos aqui do blog, decidi trazer uma atualização especial, unindo a história tradicional ao lado místico e espiritual que faz este país ser tão fascinante. Afinal, quem me conhece sabe que minha conexão com a Irlanda vai muito além das paisagens: sempre fui atraída pelo mistério e pelas energias que emanam desta terra! A Origem Mitológica e o Olhar dos Druidas Muito antes da chegada do cristianismo, os antigos druidas e sacerdotes celtas já olhavam para o trevo com profunda reverência. Para a cosmologia celta, o número três era considerado altamente sagrado e pleno de poder espiritual. Ele representava os ciclos da existência: Passado, Presente e Futuro; Terra, Mar e Céu; Corpo, Mente e Espírito. Os celtas acreditavam que a planta jovem de três folhas (cujo nome vem do gaélico seamróg) tinha o poder místico de prever o te...

Edimburgo - Escócia

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Olá, leitores! Reabrir os arquivos do blog e reencontrar este diário de viagem traz uma onda deliciosa de nostalgia. A Escócia é, sem dúvidas, um daqueles lugares que marcaram minha jornada pelo mundo e para onde tenho um desejo imenso de retornar. Olhando para trás, vejo como aquela experiência em junho de 2011 foi especial. Mantive todas as fotos originais da época aqui no post para resgatar cada detalhe junto com vocês! A Chegada e as Primeiras Impressões Quando decidi ir para a Escócia naquela época, queria apenas mais um carimbo em meu passaporte e conhecer outra cultura. Afinal, as primeiras coisas que vêm à cabeça quando se fala do país são os clássicos: o monstro do Lago Ness, o whisky, a terra do Pica-Pau, homens de saia e gaita de fole. É claro que lá tem tudo isso, mas a Escócia vai muito além: tem paisagens lindíssimas, dignas de filme, que nos fazem sentir exatamente na pontinha do fim do mundo. Viajei para Edimburgo acompanhada da Flávia e da Priscila. Fomos em um domingo...

Atualização 2026: Lembranças de um Arraiá em Dublin

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Sabe quando uma lembrança simples salta do arquivo do blog e faz o coração aquecer de saudade? Revisitando os registros do meu tempo na Irlanda, me deparei com o post desse Arraiá brasileiro em terras irlandesas. Olhando para trás, vejo como a nossa comunidade em Dublin sempre dava um jeito impecável de abraçar a própria cultura e criar um pedacinho do Brasil no meio do frio europeu. Naquele dia, lembro como se fosse hoje: a festa estava animada, cheia de risadas e abraços, mas a minha memória afetiva só conseguia pensar em uma coisa... nas comidas típicas! A vontade de comer uma canjica quentinha, um bolo de fubá bem fofinho, paçoca e pé de moleque era quase um desejo físico! Faltaram os quitutes de casa, é verdade, mas o calor humano deu conta do recado. E o que tornava aquele momento ainda mais inesquecível era o contexto: naquela mesma semana, o meu grande amigo Hertz tinha acabado de desembarcar do Brasil para começar a sua jornada de estudos na Irlanda. Aquele Arraiá foi a primei...

A Páscoa na Ilha Esmeralda: Tradições, Primavera e Memórias

A Páscoa na Irlanda tem um ritmo muito próprio. Ela marca não apenas uma celebração religiosa ou familiar, mas também o despertar definitivo da primavera. Depois de meses de um inverno rigoroso e dias curtos, a ilha parece finalmente suspirar: os campos ganham um tom de verde ainda mais vivo, os narcisos amarelados (daffodils) tomam conta dos jardins e o ar ganha um frescor renovado. Para quem vivencia o cotidiano de uma casa irlandesa — como tive a oportunidade de fazer durante os meus anos como au pair —, a tradição mais marcante para as crianças é a aguardada Easter egg hunt (a caça aos ovos de Páscoa). Diferente da cultura de ovos gigantescos pendurados nos supermercados brasileiros, na Irlanda o costume gira em torno de pequenos chocolates, caixas recheadas e ovos de tamanho médio cuidadosamente escondidos pelo gramado e entre os arbustos do quintal. A expectativa dos pais ao preparar a brincadeira na calada da manhã e a corrida entusiasmada das crianças pelo jardim são cenas que ...

A História Mística de Kerry: Lendas Celtas, Deuses e Portais no Coração da Irlanda

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Se existe um lugar na Irlanda onde a linha entre o mundo real e o universo das lendas celtas é extremamente fina, esse lugar é o Condado de Kerry. Conhecido por suas paisagens dramáticas e costa recortada pelo Atlântico, Kerry não é apenas um espetáculo natural; é uma terra impregnada de mitos antigos, reis lendários e histórias de seres do "Outro Mundo" (Otherworld). Para quem deseja ir além dos mirantes tradicionais do Ring of Kerry e mergulhar na essência mística da ilha, entender o passado celta desta região é essencial. 1. A Origem de Kerry e a Tribo de Ciar O próprio nome Kerry guarda raízes milenares. Ele deriva da expressão em gaelico Ciarraige, que significa literalmente "o povo de Ciar". Segundo as antigas crônicas irlandesas, Ciar era filho de Fergus mac Róich e da lendária Rainha Medb de Connacht (uma das figuras centrais da mitologia celta). A tribo de Ciar estabeleceu-se no sudoeste da ilha por volta de 300 a.C., transformando a região em um feudo de g...

A Capela Neogótica de Kylemore: Arquitetura, Mármores e Detalhes Escondidos

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A capela neogótica erguida por Mitchell Henry não é apenas um monumento ao luto, mas uma obra-prima de detalhes vitorianos. Quando visitamos a propriedade de Kylemore Abbey, em Connemara, a atenção inicial costuma ir para o imponente castelo à beira do lago. No entanto, seguindo uma caminhada arborizada à direita da propriedade, esconde-se uma joia da arquitetura vitoriana: a Capela Neogótica (Gothic Church). Erguida entre 1877 e 1881 como uma réplica em miniatura da icônica Catedral de Bristol, esta igreja possui detalhes fascinantes e raros que passam despercebidos pela maioria dos visitantes. 📌 Quer entender a razão emocionante pela qual esta capela foi erguida? Leia a história completa do amor e da tragédia que deram origem a Kylemore clicando aqui . Os Quatro Mármores Sagrados da Irlanda O elemento mais impressionante no interior da capela é o uso de colunas esculpidas em quatro variedades legítimas de mármore irlandês, cada uma representando uma província ou região do país: Márm...

Kylemore Abbey: De Prova de Amor Trágica a Abadia Beneditina no Coração de Connemara

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Se você me perguntar qual é um dos lugares mais impressionantes e inesquecíveis de toda a Irlanda, Kylemore estará no topo da lista. Altamente recomendado para qualquer roteiro pelo condado de Galway, o local combina uma arquitetura suntuosa, paisagens dramáticas e uma narrativa histórica que parece ter saído das páginas de um romance vitoriano. Visitar Kylemore é mergulhar em uma trajetória marcada por amor profundo, tragédias, apostas de jogo e a resiliência de uma ordem religiosa em tempos de guerra. Uma Gigantesca Prova de Amor e o Luto Vitoriano Originalmente, o imponente edifício que vemos hoje não nasceu como uma abadia, mas sim como um castelo neogótico da era vitoriana, construído no século XIX. O idealizador dessa obra-prima foi Mitchell Henry, um político e magnata inglês que decidiu erguer o palácio como uma gigantesca declaração de amor para sua esposa, Margaret Henry. O casal se apaixonou pelas montanhas e lagos de Connemara durante a lua de mel e decidiu transformar a re...