Curiosidades da Ilha Esmeralda – O que os Olhos e o Coração Aprendem a Ver

Se você já pensou em ir para a Irlanda ou já se perguntou o motivo de este país ter se tornado um dos destinos mais cobiçados do mundo para intercâmbio e turismo, vai gostar de conhecer os bastidores da Ilha Esmeralda. Quando desembarquei lá, fui descobrindo pequenas excentricidades e fatos históricos que tornam essa ilha um lugar absolutamente único.

Para começar, a Irlanda é a terceira maior ilha da Europa. O carinhoso apelido de "Ilha Esmeralda" não é exagero: a quantidade de chuva faz com que a vegetação ganhe um tom de verde tão vivo e intenso que parece pintura. A paisagem é pontuada por campos sem fim, chalés charmosos e cenários perfeitos.

Em se tratando de idioma, o país possui duas línguas oficiais: o inglês e o gaélico (o verdadeiro Irish). Na época, percebi que pouquíssimas pessoas falavam o gaélico fluentemente no dia a dia, mas todos eram obrigados a estudá-lo na escola. O reflexo disso está nas placas de sinalização, sempre bilíngues, com nomes nativos que são um verdadeiro desafio de pronúncia para nós, estrangeiros.

Outro nó na cabeça de qualquer recém-chegado é o trânsito. Os irlandeses adotam a mão inglesa, o que significa que os motoristas dirigem do lado direito do veículo e circulam pelo lado esquerdo da rua. No início, eu não conseguia me adaptar de jeito nenhum; cansei de passar vergonha tentando abrir a porta do carro do lado do motorista achando que era o carona!

No dia a dia prático, a tecnologia também já mostrava a que veio. Lembro do susto de ir ao supermercado ou ao posto de gasolina e não encontrar um atendente no caixa. O sistema de self-service, onde o próprio cliente passa as compras, paga na máquina, retira o troco e empacota tudo, já era a realidade por lá. E um aviso de utilidade pública que aprendi rápido: as sacolas plásticas nos mercados eram cobradas (cerca de € 0,35 cada). Se você não quisesse gastar, precisava lembrar de carregar a sua própria sacola de casa.

A próxima curiosidade parece folclore, mas é pura realidade geográfica: na Irlanda não existem cobras. Você jamais cruzará com esse réptil por lá. A lenda local diz que Saint Patrick (São Patrício), o padroeiro do país, expulsou todas as cobras da ilha para o mar. Verdade ou mito, o fato é que o santo é uma instituição nacional. Todo dia 17 de março, o país inteiro para e se veste de verde para celebrar o St. Patrick's Day em uma das maiores festas de rua do planeta.

Para um país geograficamente pequeno, a densidade de talentos internacionais é impressionante. A Irlanda é o berço de grandes nomes do cinema, da música e da literatura, como Pierce Brosnan, Colin Farrell, Enya, Damien Rice, U2, The Cranberries, The Corrs, Westlife, além dos brilhantes intelectuais Samuel Beckett, James Joyce e Oscar Wilde.

Culturalmente, as raízes históricas são fortes. A independência do Reino Unido, proclamada em 1916 e reconhecida em 1922, e a entrada na União Europeia, em 1º de janeiro de 1973, moldaram a identidade de um povo majoritariamente católico (cerca de 86,8% na época), dividindo espaço com a Igreja da Irlanda, o protestantismo e o judaísmo.

Foi também por fazer parte do bloco europeu que o país adotou o Euro como sua moeda oficial, deixando para trás a antiga libra irlandesa.

Uma das coisas que mais me encantavam na rotina doméstica era o fato de podermos beber água direto da bica. A água da torneira é totalmente potável, dispensando o uso de filtros. Além disso, para os residentes, não havia taxa de consumo de água encanada (uma facilidade que gerou intensos debates políticos no país nos anos seguintes). Naquele período, apenas as empresas pagavam pelo fornecimento. Mesmo com a gratuidade para os moradores, a consciência ecológica falava mais alto: nada de desperdiçar esse bem precioso.

Na mesa, os hábitos eram peculiares. Como mencionei antes, no café da manhã era sagrado aquele feijão enlatado com molho de tomate adocicado, e as diferenças no paladar eram só o começo da riqueza de conviver com outra cultura.

Para fechar este panorama, resgatei uma lista de pequenas notas mentais que escrevi na época. Elas resumem com muita fidelidade e bom humor o impacto dos meus dias em Dublin e arredores:

Brasilidade no pub: Bastava ir a uma festa brasileira para encontrar axé, pagode e funk estalando nas caixas de som.

Chuva paulista versus irlandesa: Descobri, por incrível que pareça, que o volume total de chuva em São Paulo consegue ser maior do que o de Dublin. A diferença é que lá ela é constante e fininha.

A torre de Babel do inglês: Inglês britânico, americano, australiano e o inglês-irlandês parecem idiomas completamente diferentes quando você tenta entender os sotaques pela primeira vez.

Multiculturalismo vivo: Se você caminhasse por cinco minutos na movimentada O'Connell Street, ouviria pelo menos dez línguas diferentes sendo faladas ao mesmo tempo.

Maratona diária: Anda-se MUITO por lá. O transporte público existe, mas as próprias pernas são o seu principal meio de locomoção.

Sorvete no gelo: O sorvete era incrivelmente barato — ironicamente, em um país onde faz frio a maior parte do ano.

Economia inteligente: Sabendo pesquisar, aproveitar as promoções de fim de dia e segurar o orçamento, o custo de vida não era um bicho de sete cabeças.

Mundo microscópico: Se o mundo é pequeno, Dublin consegue ser um ovo. Você sempre cruzava com conhecidos nos lugares mais improváveis!

Conhecer essas peculiaridades me fez entender que o intercâmbio vai muito além de aprender uma nova gramática; trata-se de expandir a mente para acolher o modo de vida do outro.


Comentários

  1. Gostei de saber q não há cobras (odeio esse bicho), e que não há conta de água. Estava pensando em ir para a Austrália, mas lá o banho tem q ser só de 5min. Não q eu demore muito, mas esse controle me incomoda, pois as vezes gosto de tomar 2 ou 3 banhos por dia.

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  2. Oi Fábio!!

    Eu tb adorei saber que aqui não tem cobras... imagina passear em meio a tanto verde e dar de cara com uma cobra.
    No domingo eu vou passear num lugar mt legal, chamado Montanhas de Wiclow, aguarde o novo post.

    Quanto ao banho, não há nada melhor do que um banho demorado depois de um dia de trabalho e estudos. Aqui na Irlanda a maioria das casas tem banheira, então é uma delícia. No apartamento que eu morava antes de vir para Portarlington, tinha um problema no aquecimento da água, ás vezes na metade de banho e água acabava e ainda nem tinha tirado todo o condicionador... e ai tinha que terminar o banho com água fria!! Isso mesmo!!

    Seja bem-vindo ao blog Jornada pela Irlanda!!

    Atenciosamente,
    Luciana Sousa

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  3. Legal o blog, estou sempre de olho!

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