A Magia Medieval de Kilkenny e o Prazer da Própria Companhia

Havia um bom tempo que eu alimentava o desejo de conhecer Kilkenny, no condado de mesmo nome. Quando finalmente encontrei uma brecha na rotina, não consegui companhia para a viagem. O que para muitos seria motivo para cancelar os planos, para mim, tornou-se um convite. Fazer as malas e viajar sozinha é um exercício libertador; é aprender a apreciar a própria companhia e abraçar o silêncio interno enquanto o mundo lá fora acontece. O dia amanheceu com aquele típico clima irlandês: chuvoso e frio, um convite irrecusável para continuar debaixo das cobertas. Pensei mil vezes antes de me levantar para pegar o primeiro trem, que partiria pontualmente às 07h20. Mas a ansiedade por desvendar o novo falou mais alto. Dei um salto, arrumei-me correndo e saí de casa ainda no escuro. A viagem de trem foi um daqueles momentos de pura introspecção: fones de ouvido, uma boa trilha sonora e os olhos perdidos na imensidão verde das paisagens irlandesas que passavam pela janela. Cheguei à cidade por volt...

O encanto de viajar!


"O mundo é muito vasto. E nos acomodamos muito fácil. A gente entra e sai de casa, mas não se dá conta que esse lugar aí na sua frente é algo extraordinário pra tantos outros. Normal. A gente vê isso todo dia, porque seria novidade? Todo dia passo nessa avenida (imensa com alguns dos prédios mais bacanas de São Paulo, além de famosa) e vejo a mesma avenida de sempre. Não é nada demais. Tem essas pessoas aí andando nela e cada uma cuida da vida como eu cuido da minha.
E então vamos à praia e vemos algo diferente. E vamos à uma casa de campo no meio do mato e vemos algo diferente. Parece outro mundo. As coisas são todas novidades, ou mesmo que não sejam, você repara nelas… Elas parecem ter algum encanto que aquela sua avenida e sua cidade não tem.


E você vai pra outro país! Putz!!! Aí sim, parece outro mundo. São E.T.s andando pelas ruas, eles se vestem com jeitos diferentes, tem hábitos diferentes, falam línguas diferentes. A moeda é diferente, os carros são diferentes e os prédios também.
Olhando pelas fotos da internet e pelos vídeos do youtube tudo isso parece surreal. O japão e os terremotos e os tsunamis existem. O Acre existe. Esses lugares estão aí o tempo todo. Nós é que não vemos e parecem uma idéia apenas virtual, apenas um lugar imaginário. Quando viajamos temos a sensação de estar “conhecendo o mundo”. Não há nada que nos faça sentir assim senão uma viagem. Fotos, vídeos, lembranças, souvenirs, o raio que o parta. Não tem nada que te faça o bem que viajar faz.
Vamos viajar porque viajar nos lembra que o resto do mundo existe e que há beleza em todo lugar. Viajamos para deixar um pouco aquela rotina e sair do estado de sonolência que nos deixamos ficar. Quando viajamos colocamos nossa cara pro mundo, aguçamos nossos sentidos e afiamos nossa mente para lidar com qualquer coisa. Deixamos de ser apenas trabalhadores para sermos desbravadores! Temos mais coisas pra fazer, gastamos mais energia fazendo elas, ficamos acordados por mais tempo e ainda assim nos sentimos renovados!"

Fonte: Quero Pensar

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