A Magia Medieval de Kilkenny e o Prazer da Própria Companhia

Havia um bom tempo que eu alimentava o desejo de conhecer Kilkenny, no condado de mesmo nome. Quando finalmente encontrei uma brecha na rotina, não consegui companhia para a viagem. O que para muitos seria motivo para cancelar os planos, para mim, tornou-se um convite. Fazer as malas e viajar sozinha é um exercício libertador; é aprender a apreciar a própria companhia e abraçar o silêncio interno enquanto o mundo lá fora acontece. O dia amanheceu com aquele típico clima irlandês: chuvoso e frio, um convite irrecusável para continuar debaixo das cobertas. Pensei mil vezes antes de me levantar para pegar o primeiro trem, que partiria pontualmente às 07h20. Mas a ansiedade por desvendar o novo falou mais alto. Dei um salto, arrumei-me correndo e saí de casa ainda no escuro. A viagem de trem foi um daqueles momentos de pura introspecção: fones de ouvido, uma boa trilha sonora e os olhos perdidos na imensidão verde das paisagens irlandesas que passavam pela janela. Cheguei à cidade por volt...

O Diário de uma Au Pair - Parte 11

Eu ainda lembro a sensação de estar indo embora do Brasil. Quando entrei no avião no dia 29 de setembro de 2010, no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, lembro de ter visto a cidade de cima com os meus olhos já embaçados e aquele sentimento de “vou sentir saudades” e “não sei quando verei esta linda cidade novamente”.
Descobri que há um sentimento bem pior do que esse, é o sentimento de “até sabe-se Deus quando”, ou um “até nunca mais”, pois conheci pessoas de várias partes do Brasil e do mundo e alguma delas tenho a sensação que não verei nunca mais, isso dói muito.
Fazer intercâmbio é maravilhoso, sair pelo mundo a conhecer países, pessoas e culturas, mas de repente tudo a minha volta começa a ficar desinteressante, tudo o que eu queria agora é estar com meus bons e velhos amigos.
Como eu disse no meu último post no Diário de uma au pair X, sinto que esta experiência como Au Pair está chegando ao fim, com certeza ser Au Pair não é só cuidar de crianças, é ser corajosa, valente, vitoriosa, é crescer, viver, conhecer e, mais do que tudo, aprender. Na verdade eu aprendo muito mais com eles, do que eles comigo.
No meu aniversário eu estava um pouco melancólica, chorei bastante com saudades da minha falecida avó, lamentando por não estar comemorando com meus familiares e amigos, senti-me sozinha, mesmo tendo várias pessoas ao meu redor.
Aqui na minha casa trataram-me com frieza, a Brónagh que eu tanto amo esqueceu, os pais desejaram um "Hi, Happy Birthday", sem um abraço ou sequer um aperto de mão, muito menos uma lembrancinha, me senti sem a menor importância para eles, depois do trabalho fui para casa dos meus amigos em Dublin, mas sentia um vazio na alma, difícil explicar em palavras. Então ontem eles me convidaram para jantar, fiquei surpresa e feliz, porque pensei que eles não tinham se importado, então as crianças ficaram animadas, a Brónagh me pediu "sorry" por ter esquecido e tivemos uma noite muito agradável no restaurante chinês em Portarlington, com direito a vinho para acompanhar.
Sempre penso o quanto será difícil deixá-los, quando cheguei aqui a Brónagh tinha 6 anos e daqui a 4 meses vai fazer 8 anos, ela tinha todos os dentes de leite ainda, já caiu vários, nasceram quase todos os permanentes, ela já está com o sorriso totalmente diferente. Ela tinha o cabelo na cintura, a mãe cortou quase no ombro e já está enorme novamente, como o tempo passa, isso até assusta. Quando eu piscar os olhos, ela estará no facebook conversando comigo daqui há uns anos, verei as fotos atuais dela e lembrarei dos bons momentos com ela e o quanto esta menininha me ensinou. É uma relação que vai muito além de ser apenas uma Au Pair!!

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