Psicologia Sem Fronteiras: Acolhimento para Brasileiros que Vivem o Mundo

Olá! Sou Luciana Oliveira de Sousa, Psicóloga e Gestora de RH. Minha jornada no exterior começou na Irlanda (2010-2012) e passou por Portugal (2017) — experiências que não só moldaram quem eu sou, mas que deram origem ao blog que hoje celebra 1 milhão de visualizações. Hoje, uso essa vivência para acolher brasileiros que planejam ou já vivem o desafio de morar fora, além de apoiar quem busca uma transição de carreira segura. Eu entendo as dores e as belezas de recomeçar em outra terra. Como agendar: 📱 WhatsApp: +55 21 99964-8039 📸 Siga minha jornada no Instagram: @jornadalucianasousa 📸 Siga minha jornada no Youtube: @jornadalucianasousa 📸 Siga minha jornada no Tik Tok: @psi.lucianasousa Será um prazer atendê-lo(a)!🌻

A Primeira Entrevista em Inglês — O Medo, a Coragem e o Primeiro Passo Corporativo

Quando cheguei à Irlanda para trabalhar como Au Pair no interior, meu nível de inglês era tão básico que a minha primeira entrevista de contratação precisou do auxílio do Google Tradutor. Para ser honesta, antes de conseguir essa primeira vaga, fui reprovada em duas outras seleções justamente por não conseguir me comunicar. Mas eu tinha clareza sobre os meus objetivos: trabalhar como Au Pair era a porta de entrada, uma oportunidade de imersão cultural e aprendizado. Meu verdadeiro sonho profissional, contudo, era construir uma transição para o universo corporativo, rechear o currículo com uma vivência internacional e aplicar a minha formação em Recursos Humanos e gestão de pessoas.

Como eu tinha a vantagem do passaporte europeu, sabia que isso abria portas burocráticas importantes na União Europeia, uma barreira que infelizmente muitos estudantes intercambistas enfrentavam por limitações de visto.

1. A Prova de Fogo: O Teste para a Siemens

Cerca de quatro meses antes, um amigo me indicou para uma oportunidade na área de Help Desk na multinacional Siemens, em Cork. O trabalho consistia no suporte a clientes brasileiros — uma função bastante comum na Irlanda para falantes nativos de português.

Apesar do entusiasmo inicial, a reação do meu corpo ao pavor da língua foi imediata: dor de barriga, nó no estômago, suor frio e todas as manifestações físicas de ansiedade que um ser humano pode sentir. Na primeira tentativa de ligação do recrutador da agência, simplesmente não tive coragem de atender. Só atendi na segunda chamada. Para minha sorte e alívio, o selecionador era italiano — um sotaque bem mais compreensível para mim do que o carregado accent irlandês.

As perguntas iniciais foram básicas e consegui me fazer entender. Em seguida, recebi um teste técnico dividido em três etapas:
  • Redação de e-mail formal;
  • Gramática aplicada;
  • Avaliação técnica: Esta foi a parte mais cruel — 50 questões técnicas com o tempo cronometrado de 50 minutos (exatamente um minuto por pergunta para ler em inglês, interpretar e responder).
Pedi ajuda ao meu professor particular da época para as partes de e-mail e gramática, mas no teste técnico precisei chutar várias respostas contra o relógio. Após quase dois meses de uma ansiosa espera — aprendendo na prática como os processos seletivos na Europa costumam ser lentos —, recebi o retorno informando que não havia atingido a pontuação necessária na parte técnica. Fiquei chateada, claro, mas a semente da coragem já havia sido plantada.

2. Desafios de RH do Outro Lado da Linha

Empolgada com as possibilidades, passei a cadastrar meu currículo em plataformas digitais de emprego com vagas em toda a Europa. Pouco antes das minhas férias no Brasil, uma empresa de tecnologia da Irlanda do Norte entrou em contato perguntando se eu ainda tinha interesse em uma posição de Customer Service (Atendimento ao Cliente). Respondi que sim, mas expliquei que estava embarcando para o Brasil e que poderiam me contactar no meu retorno.

Por uma coincidência incrível do destino, logo na semana em que voltei e fui passear em Belfast, a equipe de RH me enviou um e-mail para agendar a conversa.

Dessa vez, o nervosismo deu lugar a uma postura mais confiante. Eu já não me sentia tão paralisada pelo idioma e sabia que a ansiedade só atrapalharia minha performance. Conseguimos nos entender super bem. Na sequência, passei por uma entrevista telefônica mais detalhada, com aquelas clássicas perguntas comportamentais de RH que eu mesma estava acostumada a fazer aos candidatos no Brasil:

"Fale sobre a sua trajetória profissional e os motivos de saída dos empregos anteriores."
"Por que você quer trabalhar na nossa empresa?"
"O que motivou a sua mudança para a Irlanda?"

Senti na pele o desafio de raciocinar direto em inglês para elaborar respostas estruturadas e profissionais. Dei algumas "rateadas", pedi para a recrutadora repetir frases em alguns momentos e, ao desligar o telefone, fiquei repensando cada resposta: "Puxa, eu podia ter falado de tal forma...".

Apesar da autocritica, aquela ligação foi um divisor de águas na minha jornada. Percebi que, passo a passo, a barreira do idioma estava ruindo e que o meu conhecimento profissional continuava ali, apenas aprendendo a se expressar em uma nova língua.

Comentários

  1. Eeeeee!!
    Já te parabenizo pela conquista!! Deve ser maravilhoso ver a evolução assim no inglês, entender e se fazer entender em uma entrevista.
    Vai com fé que dará certo!
    Estamos na torcida!!

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  2. Parabéns!!! A parte mais complicada já passou, agora é só relaxar e deixar fluir.
    Bjus

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