Dois meses após a minha chegada (2010), o blog começou a se transformar em algo maior do que um diário pessoal. Eu já não escrevia apenas para mim; escrevia para uma comunidade que crescia diariamente — e que hoje ultrapassa a marca de quase 1 milhão de visualizações. Na verdade, para alimentar aquele espaço com informações novas e autênticas, precisei viver intensamente muitas emoções, desafios e viagens para compartilhar com quem me acompanhava. Lembro-me de passar horas respondendo a comentários na plataforma, acolhendo leitores assustados com as notícias de que a Irlanda enfrentava uma severa crise imobiliária global. A pergunta que mais pipocava na minha caixa de entrada era uma só: "Vale a pena arriscar?"
Diante daquela responsabilidade, precisei deixar o deslumbramento do intercâmbio de lado para encarar os fatos com lucidez. Escrevi um post direto, quase um manifesto: aconselhei que não fossem se o objetivo principal fosse apenas o dinheiro rápido, mas incentivei que arrumassem as malas se o foco estivesse no estudo, no crescimento cultural e na experiência de vida.
Na época, uma das minhas dicas mais enfáticas era prática: “traduzam o currículo antes de embarcar”, porque eu mesma havia sentido na pele o peso de passar as duas primeiras semanas engolida pela burocracia e pela correria da chegada antes de conseguir organizar meu próprio CV.
Hoje, a Irlanda está em outro momento. O país superou aquela crise financeira e se transformou em um polo que abriga os quartéis-generais de muitas das maiores empresas globais de tecnologia e inovação. A realidade econômica é completamente diferente daquela que encontrei em 2010.
Olhando para trás, percebo que aquele foi o momento em que entendi o verdadeiro papel do meu registro digital. Eu não estava ali para vender ilusões ou dar fórmulas prontas; estava ali para acolher a realidade, com os pés fincados no chão e o coração aberto para os sonhos. Ler esses comentários hoje me traz uma nostalgia maravilhosa e, acima de tudo, me faz perceber que aquele acolhimento sutil às dores e dúvidas dos leitores já era o prenúncio da psicóloga clínica que eu me consolidaria mais tarde.
Hoje, no meu consultório focado em saúde mental e desenvolvimento pessoal, continuo fazendo exatamente isso: ajudando pessoas a atravessarem seus próprios dilemas, transições de carreira e crises com os pés no chão, mas sem nunca perderem de vista o que pulsa no coração.
Se você está chegando agora por aqui ou se já me acompanha nessa jornada, saiba que todo esse acervo de vivências, reflexões e memórias está sendo resgatado e lapidado. Estou preparando um e-book super especial em formato de livro digital. Fique de olho, pois em breve trarei mais novidades sobre o lançamento!
Para encerrar com a mesma essência que deixei registrada naquela postagem de anos atrás: "Não me deem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre. Mas lembrem-se: jamais desistam dos seus sonhos!"
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