Estudar Inglês no Interior da Irlanda: Como Venci a Distância e as Barreiras da Época
Como relatei anteriormente, quando me mudei para Portarlington, precisei trancar o curso de inglês na Euro College por conta da distância. Tentei de todas as formas retomar os estudos, mas deparei-me com a realidade do interior: na cidade onde eu morava e nas vizinhas não havia cursos de inglês disponíveis. Para piorar, os horários dos trens não coincidiam com o meu tempo livre de au pair para estudar em Dublin. Além disso, a passagem de trem de ida e volta custava € 15,40 para estudantes, um valor totalmente inviável para o orçamento limitado de quem trabalhava nessa função. Entrei em contato, em vão, com diversas escolas em Dublin, mas nenhuma conseguia se encaixar na minha rotina.
A virada aconteceu quando descobri que na cidade vizinha, Monasterevin, passava um ônibus para Dublin cuja tarifa estudantil custava apenas € 3,00. Essa descoberta foi uma verdadeira alegria e um divisor de águas. Passei a ir à capital com muito mais frequência, o que me permitiu conhecer pessoas, viabilizar os estudos e amenizar bastante os dias tomados pela nostalgia.
Em Portarlington, havia uma Associação que oferecia alguns cursos de qualidade a bons preços, como um de Business que contava com um módulo focado na minha área de formação, Recursos Humanos. Fui até lá tentar a matrícula, mas fui informada de que precisava aperfeiçoar o meu inglês e retornar em setembro para tentar novamente. Saí de lá completamente frustrada e cheguei a cogitar mudar de emprego, afinal, o estudo sempre foi minha prioridade e, diante da falta de recursos locais, não me restava outra alternativa na época.
Eu acreditava que apenas morar com uma família Irish seria suficiente para aprender e evoluir no idioma. De fato, a convivência diária era extremamente importante — até porque em Portarlington eu não mantinha contato com brasileiros —, porém a falta da gramática me fazia imensa falta na estruturação das frases. Eu cometia pequenos erros, coisas bobas que, assim que a conversa passava, me faziam pensar: "Ah, eu poderia ter falado assim ou assado!".
Questionava-me muito sobre a evolução do meu inglês. Reconhecia que havia melhorado imensamente ao longo daqueles sete meses de Irlanda, especialmente quando comparava ao meu receio dos primeiros dias, em que morria de medo de falar. No entanto, sabia que, se estivesse estudando em uma sala de aula, estaria mil vezes melhor. Muitos alunos costumavam reclamar das escolas, mas elas fornecem a base necessária para a prática no dia a dia. Sem essa base, eu me sentia perdida, pois não havia como expressar com clareza o que eu ainda não tinha aprendido formalmente.
Foi assim que, após esgotar todas as buscas por turmas, resolvi contratar um professor particular por indicação de um amigo. A ideia era trabalhar exatamente os meus pontos fracos na conversação e me ajudar a estruturar melhor as frases.
No nosso primeiro encontro, gostei muito da didática, da flexibilidade de horários e do valor da hora/aula. Ele era brasileiro, morava em Dublin 8 e estava há dois anos na Irlanda, trazendo no currículo vivências anteriores nos Estados Unidos e no Canadá, completo domínio da língua inglesa e a experiência de já ter sido professor em duas importantes escolas no país.
Olhando para essa situação sob a perspectiva de hoje, percebo como a tecnologia transformou radicalmente essa dinâmica: se naquela época a distância física era um obstáculo real e exigia um grande malabarismo logístico para ter aulas particulares presenciais, hoje a tecnologia encurtou essas pontes e tornou o ensino acessível de qualquer lugar do mundo, sem barreiras geográficas. Atualmente, temos à disposição uma infinidade de cursos com Inteligência Artificial e a própria IA como aliada diária para praticar a conversação, tirar dúvidas de gramática e traduzir conteúdos em tempo real. Naquele contexto, porém, esse passo presencial foi a solução perfeita para a minha realidade e marcou a retomada ativa do meu aprendizado dentro das possibilidades reais daquele momento.
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