A Magia Medieval de Kilkenny e o Prazer da Própria Companhia

Havia um bom tempo que eu alimentava o desejo de conhecer Kilkenny, no condado de mesmo nome. Quando finalmente encontrei uma brecha na rotina, não consegui companhia para a viagem. O que para muitos seria motivo para cancelar os planos, para mim, tornou-se um convite. Fazer as malas e viajar sozinha é um exercício libertador; é aprender a apreciar a própria companhia e abraçar o silêncio interno enquanto o mundo lá fora acontece. O dia amanheceu com aquele típico clima irlandês: chuvoso e frio, um convite irrecusável para continuar debaixo das cobertas. Pensei mil vezes antes de me levantar para pegar o primeiro trem, que partiria pontualmente às 07h20. Mas a ansiedade por desvendar o novo falou mais alto. Dei um salto, arrumei-me correndo e saí de casa ainda no escuro. A viagem de trem foi um daqueles momentos de pura introspecção: fones de ouvido, uma boa trilha sonora e os olhos perdidos na imensidão verde das paisagens irlandesas que passavam pela janela. Cheguei à cidade por volt...

Sentimentos no Brasil — O Reencontro e o Choque do Retorno

Queridos leitores,

Como eu escrevi na semana passada, vim ao Brasil! Viajei na quarta-feira e cheguei na quinta. Foi uma viagem cansativa e chata, mas correu tudo bem. Durante o trajeto, pensei muito nas mudanças e experiências que vivenciei ao longo destes 10 meses... percebi que já não sou mais a mesma.

Fiquei observando o percurso pela telinha do mapa no avião. Quando a aeronave entrou no espaço aéreo do Brasil, veio aquela sensação gostosa de estar em casa, no meu território. Ao ver o Rio de Janeiro do alto, uma emoção indescritível se apossou de mim e as lágrimas simplesmente rolaram pelo meu rosto.

Ao chegar no aeroporto, as malas demoraram 1h30 para sair e eu já estava louca para sair dali! Graças a Deus a bagagem estava intacta. Na saída do desembarque, encontrei meus pais e minha amiga Karla — que estava até com plaquinha de boas-vindas me aguardando! Ela é uma fofa mesmo. Corri lá fora só para sentir o clima e fiquei radiante por não sentir aquele frio congelante de antes, depois do inverno rigoroso que vivenciei na Europa.

Estava exausta. Meu pai fez o caminho normal de volta para casa, mas eu parecia flutuar, quase sem conseguir raciocinar direito. A ficha ia caindo aos poucos e tudo parecia estranhamente familiar, mas ao mesmo tempo diferente. Tentei descansar e não consegui; recebi a visita de uma tia muito querida e o fuso horário me deixou bem confusa. Não dormi bem nas duas primeiras noites, acordando super cedo, mas quanto a isso já me adaptei.

Na sexta-feira, reencontrei meus amigos em um bar que amo na Lapa, foi bom demais! Já aproveitei para matar vários desejos gastronômicos guardados no peito: canjica, pão francês quentinho, pastel, Guaraná Antarctica, cachorro-quente de rua, Koni, feijão com tempero de casa e churrasco!

Fico sem palavras para descrever a imensa alegria que senti ao ver o mar novamente. Poder correr na praia, sentir a água bater nos pés e contemplar as belezas da minha cidade... eu parecia uma criança vendo o oceano pela primeira vez! Como eu sentia falta disso! Sem falar no nosso clima abençoado: em pleno inverno, poder ir à praia, que maravilha!

Porém, no sábado, fui tomada por uma tristeza indescritível, uma sensação de vazio tão forte que parecia que meu coração ia parar. Mas sei como é: daqui a pouco o formigamento por viajar começa de novo...

Nesta primeira semana é maravilhoso reencontrar a família e os amigos, de quem eu estava morrendo de saudades. Mas confesso que já está dando uma vontade de voltar correndo para a Irlanda! É como se um pedacinho de mim estivesse lá: meus novos amigos, os lugares que eu frequentava, as rotas de viagem... Trouxe as malas cheias de bagagem e memórias, mas na verdade, não coube na mala tudo o que aprendi.

Depois de viver em um país onde tudo funciona e onde a gente sente segurança no dia a dia, é muito difícil encarar de volta a realidade brasileira. Li esses dias que muitos brasileiros se sentem como estrangeiros no próprio país depois de um tempo fora, e é exatamente isso. Para completar, nem estou aguentando ver o noticiário... só tragédia.

Aos poucos vou me reajustando por aqui e curtindo cada segundo com quem eu amo!

Beijos e até o próximo post!

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