A Magia Medieval de Kilkenny e o Prazer da Própria Companhia

Havia um bom tempo que eu alimentava o desejo de conhecer Kilkenny, no condado de mesmo nome. Quando finalmente encontrei uma brecha na rotina, não consegui companhia para a viagem. O que para muitos seria motivo para cancelar os planos, para mim, tornou-se um convite. Fazer as malas e viajar sozinha é um exercício libertador; é aprender a apreciar a própria companhia e abraçar o silêncio interno enquanto o mundo lá fora acontece. O dia amanheceu com aquele típico clima irlandês: chuvoso e frio, um convite irrecusável para continuar debaixo das cobertas. Pensei mil vezes antes de me levantar para pegar o primeiro trem, que partiria pontualmente às 07h20. Mas a ansiedade por desvendar o novo falou mais alto. Dei um salto, arrumei-me correndo e saí de casa ainda no escuro. A viagem de trem foi um daqueles momentos de pura introspecção: fones de ouvido, uma boa trilha sonora e os olhos perdidos na imensidão verde das paisagens irlandesas que passavam pela janela. Cheguei à cidade por volt...

Viajar é preciso!!

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”. Amir Klink
 
“A verdadeira arte de viajar…
A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali…
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!”  Mario Quintana

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” Fernando Pessoa

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