Notícias da Irlanda desde 2010 - "Viajar não é mais sobre deixar um lugar para trás, mas sobre encontrar, em cada destino, uma nova parte de quem eu sou."
Recentemente assisti ao filme Meu Nome é Agneta (disponível na Netflix, baseado no livro de Emma Hamberg). A história acompanha uma mulher que, aos 49 anos, se sente estagnada, invisível e presa a uma rotina automática. Em uma decisão impulsiva, ela decide deixar a Suécia para trás e aceitar um trabalho na França. O que ela encontra lá não é exatamente o que esperava, mas é justamente o imprevisível que a força a desperta de volta para a vida, pro riso e pra liberdade. Assistir a essa jornada me fez refletir profundamente sobre a minha própria caminhada pelo mundo. Mudar de país ou sair da zona de conforto não é sobre fugir de quem somos, mas sobre descobrir quem podemos ser quando nos permitimos tentar algo novo. 1. O Misto de Medo e Liberdade Assim como a personagem do filme sente aquele frio na barriga ao cruzar uma fronteira para o desconhecido, quem já morou fora conhece bem essa sensação. A primeira vez que saí do Brasil foi para fazer meu intercâmbio em Portugal — meu berço ance...
(Atenção: Contém um pequeno spoiler de mais um trecho do meu livro Vida Sobre Vidas! Relembrando que a obra está disponível na Amazon e é gratuita para assinantes do Kindle Unlimited / KDP Select!)
Minha avó Celeste, aos 35 anos, viu-se diante de um destino que não escolheu, mas que se sentiu na obrigação de abraçar. Naquela época, uma mulher que não seguisse o marido era severamente malvista pela sociedade; o estigma do abandono pesava tanto quanto a saudade. Na década de 1950, as restrições eram tantas que uma mulher só podia viajar para fora do país se tivesse uma autorização por escrito do próprio marido. Um contraste profundo com os tempos de hoje, em que eu, com passaporte português ou não, já cruzei fronteiras e desbravei 18 países com total autonomia.
Ela partiu um ano depois do marido, cruzando o oceano com seus dois filhos: minha tia e madrinha Lourdes, de sete anos, e meu pai, Joaquim, com apenas quatro. Mas Celeste não trazia apenas as crianças; carregava a ferida aberta de ter perdido duas filhas antes da viagem, ambas antes de completarem um ano de vida. Minha avó carregou essa dor por muitos anos, narrando a história repetidas vezes, sempre com uma riqueza de detalhes que mantinha o luto vivo. No Brasil, a vida tentou florescer novamente e eles tiveram mais dois filhos, mas a marca do sacrifício e da travessia já havia se tornado o alicerce de nossa história.
A Cena da Despedida
Segundo os relatos, a despedida de seus familiares foi sofrida e dilacerante. Sua mãe, Maria (minha bisavó), agarrava-os com força, tentando em vão impedir essa dolorosa partida, que seria para sempre. Eles jamais retornaram a Portugal, com a única exceção de meu pai, que esteve lá em 2002. A dor e o trauma deste dia jamais se apagaram das lembranças de minha avó Celeste, acompanhando-a e marcando-a até seus últimos dias de vida.
A Travessia e a Chegada
A viagem pelo Oceano Atlântico durou doze dias exaustivos de navio. A dor da saudade apertava seu peito; ela havia deixado tudo e todos para trás, justamente em uma época em que os meios de comunicação eram escassos. Celeste passou muito mal durante a travessia devido aos intensos enjoos, tornando os dias ainda mais longos.
Após a cansativa jornada, enfim atracaram no Rio de Janeiro, em 1954 — coincidentemente o ano em que minha mãe nasceu. Foram logo acolhidos pelo meu avô José, que já estava instalado na cidade, prontos para dar os primeiros passos na construção dessa nossa nova vida.
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📌 Nota: Este é um post histórico de 2017 mantido para registro. Confira a versão atualizada e completa com relatos na prática aqui . Sabemos que uma grande parte da população brasileira descende de europeus, e logo, pode ser que tenham direito a uma cidadania europeia. Mas além de um resgate a raízes, ter uma cidadania europeia tem muitas outras vantagens. Para facilitar a sua jornada e deixar tudo bem explicado, sintetizei a seguir os pontos principais e as dúvidas mais frequentes sobre o tema. A dupla cidadania facilita nos processos de vistos para países fora da União Europeia como: Japão, Estados Unidos e Canadá. Na imigração para estas regiões existem basicamente três acessos: europeus, pessoas do próprio país e outros. Para os EUA, por exemplo, é exigido apenas o preenchimento de um formulário conhecido como ESTA – Electronic System for Travel Authorization. Quando o assunto é mercado de trabalho, a dupla cidadania pode ser um diferencial no currículo, pois a pessoa transmite c...
"Viajar! Perder países! Ser outro a cada dia." (Fernando Pessoa) Visualizar o mapa europeu é o primeiro passo para quem está planejando um intercâmbio, uma viagem de férias ou apenas quer entender melhor a geografia do continente. À primeira vista, a Europa parece compacta — e realmente é, em comparação com as dimensões continentais do Brasil —, mas a sua divisão política e geopolítica exige atenção na hora de montar qualquer roteiro. Apresento os mapas de referência e os pontos essenciais que todo viajante precisa compreender antes de embarcar: 🗺️ 1. União Europeia x Espaço Schengen: Qual é a Diferença? Uma das dúvidas mais comuns de quem olha o mapa da Europa é achar que todos os países seguem as mesmas regras de fronteira. Na prática, existem duas divisões principais: União Europeia (UE): Bloco econômico e político composto por 27 países membros. Espaço Schengen: Zona de livre circulação composta por mais de 20 países europeus, onde não há controle de fronteira terrest...
Olá, leitores! Se há um símbolo que traduz a alma da Irlanda em qualquer canto do planeta, é o famoso shamrock — o trevo de três folhas. Sendo este um dos posts mais lidos aqui do blog, decidi trazer uma atualização especial, unindo a história tradicional ao lado místico e espiritual que faz este país ser tão fascinante. Afinal, quem me conhece sabe que minha conexão com a Irlanda vai muito além das paisagens: sempre fui atraída pelo mistério e pelas energias que emanam desta terra! A Origem Mitológica e o Olhar dos Druidas Muito antes da chegada do cristianismo, os antigos druidas e sacerdotes celtas já olhavam para o trevo com profunda reverência. Para a cosmologia celta, o número três era considerado altamente sagrado e pleno de poder espiritual. Ele representava os ciclos da existência: Passado, Presente e Futuro; Terra, Mar e Céu; Corpo, Mente e Espírito. Os celtas acreditavam que a planta jovem de três folhas (cujo nome vem do gaélico seamróg) tinha o poder místico de prever o te...
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