O Portal Verde: Onde o Gelo Derreteu Minhas Certezas

(Atenção: Contém um pequeno spoiler de um dos textos do meu livro Vida Sobre Vidas! Lembrando que a obra já está disponível na Amazon e é gratuita para assinantes do Kindle Unlimited / KDP Select!)

Entre 2010 e 2012, vivi o que hoje compreendo ter sido o grande portal de abertura da minha vida: a Irlanda. Enquanto a neve caía silenciosa do lado de fora e o frio convidava ao recolhimento, dentro de mim uma fogueira começava a arder. Eu vinha de uma longa e importante caminhada no ambiente evangélico, que me trouxe bases profundas, mas, naquele isolamento gelado, cercada por pilhas de livros espirituais, senti que a minha alma pedia para ir além das fronteiras do que eu conhecia até então.

Foi nesse período que a compreensão sobre vidas passadas deixou de ser apenas um conceito distante para se tornar um fato inquestionável na minha jornada de autoconhecimento. Não foi uma conclusão intelectual; era uma percepção visceral.

Eu sentia que pertencia àquela terra de uma forma que a razão não conseguia alcançar. Cada passo no solo irlandês era como um retorno, um abraço de algo muito antigo que eu não sabia explicar, mas que o meu íntimo reconhecia com absoluta certeza: eu já havia estado ali.

Naquela época, o mundo ainda operava em outro ritmo. O Wi-Fi e os smartphones estavam apenas começando a moldar nossa presença digital. Foi ali, entre uma descoberta interna e outra, que nasceu o blog Jornada Pela Irlanda. O que começou como um relato diário acabou atingindo mais de 1 milhão de visualizações — uma marca que hoje se desdobra em novas formas, ganhando vida em um e-book e em posts repaginados com as minhas notas de 2026. Esse acervo vivo prova que o meu propósito com a escrita não começou agora.

Minha jornada com as palavras começou muito antes deste livro. Escrevo em diários desde que me entendo por gente, um hábito que floresceu quando ganhei meu primeiro exemplar da minha madrinha Lourdes. Ter tido a honra de sua presença na minha vida foi um presente divino; ela deixou saudades imensas, mas também a semente do registro.

A escrita sempre foi o meu modo de processar a vida. Na Irlanda, escrevi para não me perder na neve; hoje, escrevo para não me perder no emaranhado das memórias.

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Connemara

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