O Que "Meu Nome é Agneta" e Morar Fora Me Ensinaram Sobre Nunca Ser Tarde Demais para Se Reencontrar

Recentemente assisti ao filme Meu Nome é Agneta (disponível na Netflix, baseado no livro de Emma Hamberg). A história acompanha uma mulher que, aos 49 anos, se sente estagnada, invisível e presa a uma rotina automática. Em uma decisão impulsiva, ela decide deixar a Suécia para trás e aceitar um trabalho na França. O que ela encontra lá não é exatamente o que esperava, mas é justamente o imprevisível que a força a desperta de volta para a vida, pro riso e pra liberdade. Assistir a essa jornada me fez refletir profundamente sobre a minha própria caminhada pelo mundo. Mudar de país ou sair da zona de conforto não é sobre fugir de quem somos, mas sobre descobrir quem podemos ser quando nos permitimos tentar algo novo. 1. O Misto de Medo e Liberdade Assim como a personagem do filme sente aquele frio na barriga ao cruzar uma fronteira para o desconhecido, quem já morou fora conhece bem essa sensação. A primeira vez que saí do Brasil foi para fazer meu intercâmbio em Portugal — meu berço ance...

A Menina que Ouvia o Além-Mar

(Atenção: Contém um pequeno spoiler de mais um trecho do meu livro Vida Sobre Vidas! Relembrando que a obra está disponível na Amazon e é gratuita para assinantes do Kindle Unlimited / KDP Select!)

As histórias da vovó foram os alicerces do meu desejo de mundo. Por trinta anos, ouvi-a descrever, com minúcias sagradas, a cultura que ela deixou para trás: os familiares que eram lendas para mim, a vibração das danças, a força das crenças e a dignidade do que meu bisavô construiu em solo português. Aquelas repetições que eu tanto amava agiam como sementes. Enquanto o mundo via Portugal em revistas, livros de história ou documentários de TV, eu via a terra dos meus ancestrais através dos olhos dela. Foi ali, entre uma história e outra, que o meu desbravar começou; o meu coração já cruzava o oceano muito antes de eu pisar no aeroporto.

Foi na virada do milênio, com o acesso à internet, que percebi que o sonho de conhecer minhas raízes era mais tangível do que eu poderia imaginar. Assim, em 2008, realizei minha primeira peregrinação e o encontro real com as minhas raízes. 
Aquela foi minha primeira viagem internacional: pisei em solo português para viver e trabalhar no Monte de Santa Luzia, em Viana do Castelo. Ali, entre o santuário e o mar, senti o êxtase de ver de perto os cenários que minha avó narrava. Eu me sentia, literalmente, dentro de um filme.

Minha história com este país, no entanto, é feita de camadas que exigiram mais do que deslumbramento. Em 2017, retornei para morar no arquipélago dos Açores, realizando o sonho de cursar um período na Universidade dos Açores. Foi uma experiência fascinante, mas profundamente desafiadora. Viver no meio do oceano, cercada por vulcões e pelo isolamento das ilhas, exigiu de mim uma força que eu ainda não sabia que possuía. Foi um tempo de maturação, onde o romantismo das histórias da vovó encontrou a dureza e a beleza da realidade acadêmica e geográfica.

Cada retorno, incluindo minha última vivência em 2025, é profundamente emocionante. Sinto a presença dos meus antepassados de uma forma inexplicável, o que faz um bem enorme para a alma. Compreendi que a verdadeira felicidade está justamente no lugar que abandonamos e para onde ansiamos regressar sempre.

Eu sou o resultado de milhares de histórias que vieram antes!

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