Do Medo de Perder Minhas Memórias à Proposta de R$ 6.000: Por Que Decidi Ser uma Escritora Independente

Há poucos meses, fui tomada por um sentimento urgente de preservação. Sabe aquela sensação de olhar para trás e perceber que os registros das suas experiências mais profundas e transformadoras estão vulneráveis ao tempo e às instabilidades da internet? Pois é. Eu olhei para o meu blog, e senti um receio genuíno de, por algum erro digital, ver todas as minhas sagradas e inesquecíveis memórias simplesmente desaparecerem.
Decidi agir. Iniciei um processo intenso e quase terapêutico de resgate: transcrever cada linha, cada desabafo de intercâmbio e cada reflexão para o papel. O resultado impresso dessa dedicação? Nada menos que 700 páginas em formato A4 no Word. Ver aquele volume de páginas materializado trouxe uma sensação indescritível de alívio e realização. Minhas vivências na Europa estavam sãs, salvas e protegidas.

Mas ali começava um novo desafio: o que fazer com tudo isso?

O Choque de Realidade no Mercado Editorial

Como a maioria dos autores iniciantes, o meu primeiro impulso natural foi buscar a validação do mercado tradicional. Enviei o material e, recentemente, recebi o retorno da Editora Viseu. A proposta? Um custo inicial de R$ 6.000,00 para cobrir a diagramação, uma capa padrão e a distribuição física e digital.
Vale o parêntese: eu não estou fechada para o mercado tradicional. Inclusive, já existem propostas em andamento com outras editoras para a publicação do meu livro físico Vida Sobre Vidas. Eu apenas aproveitei o gancho desse retorno específico para analisar o cenário como um todo.
E a verdade é que, para o projeto atual do e-book da Irlanda, aquela proposta de R$ 6.000,00 não cabia no meu momento. Ficou claro que o modelo transferia todo o risco financeiro para cima de mim, enquanto a editora garantia o lucro dela antes mesmo de o livro nascer. Não fazia o menor sentido pagar para trabalhar, principalmente quando olhei para a minha bagagem e percebi que eu mesma poderia gerenciar cada uma daquelas etapas.

Eu sabia que era possível porque eu já tinha feito isso antes. Em fevereiro, publiquei de forma totalmente independente o meu livro 'Vida Sobre Vidas' na Amazon, em formato digital, com custo zero. Eu já conhecia o caminho da autonomia, já tinha sentido o gosto de ver uma obra minha ganhar o mundo pelas minhas próprias mãos. Por que, então, dar um passo atrás e terceirizar o meu valor agora?

Foi o meu momento de virada. Pensei: "Se eu tive a coragem de cruzar o oceano, se enfrentei os choques culturais e os lutos migratórios de viver fora, se construí uma carreira sólida de mais de 16 anos na área de Recursos Humanos e hoje atuo firmemente como Psicóloga Clínica... eu decidi que a Jornada Pela Irlanda seguiria o mesmo caminho de liberdade."

Eu serei, novamente, uma escritora independente.

O Paralelo Invisível: Onde a Carreira e a Psicologia se Encontram

Esse processo me fez refletir profundamente sobre o comportamento humano. Por que nós temos a tendência tão forte de terceirizar a validação do nosso próprio valor?
Como especialista em RH e psicóloga, vejo isso acontecer todos os dias no consultório. Profissionais brilhantes aceitam propostas ruins no mercado de trabalho por medo de não darem conta sozinhos. Intercambistas se submetem a situações desgastantes no exterior porque duvidam da sua própria capacidade de impor limites e assumir o protagonismo. Nós buscamos em selos, empresas ou contratos a autorização para sermos quem já somos.

Assumir o controle como autora independente dá um trabalho gigante. Significa que agora enfrentarei uma longa e minuciosa jornada de lapidação. Vou precisar olhar para aquelas 700 páginas e separar detalhadamente o que vai entrar para o e-book Jornada Pela Irlanda, e o que continuará alimentando o blog de forma viva e estratégica. Haverá muitos cortes, refinamentos e acréscimos baseados na maturidade de quem sou hoje.

Ser independente dá trabalho? Sim, porque você assume todas as funções. Mas a liberdade de não terceirizar o valor da sua história e ter o controle absoluto da sua própria narrativa compensa cada linha lapidada.

Se você também está passando por uma transição de vida, estruturando sua carreira ou simplesmente tentando encontrar a coragem necessária para assumir o controle da sua narrativa, saiba que o autoconhecimento é o item mais importante da sua bagagem.

O livro sou eu. E o voo está apenas começando.

Gostou da reflexão? Continue me acompanhando por aqui e nas redes sociais. Nos vemos nos próximos capítulos!

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Comentários

  1. Oie Lu
    Que bom ter noticias suas, fico muito feliz por ti!
    Eu assistir esse filme mas nao gostei, nao sei se vc conhece mas o "Tara Road" eh otimo, a atriz principal eh irlandesa e bem famosa e ele tbm se passa em Dublin =)
    Bjs querida

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