O que a "Moça do Jornada Pela Irlanda" não sabia sobre o futuro: Uma carta ao meu espelho de 2012
Olá, leitores!
Recentemente, mergulhando nos arquivos do blog para o lançamento do e-book, reencontrei um post que escrevi no final de 2012. Eu tinha dado uma pausa na escrita e voltei após o apelo de uma leitora querida, que me mandou um e-mail dizendo: "Volte a escrever... fico buscando sentir, me empolgar e parecer com aquela moça do Jornada na Irlanda".
Naquele dezembro de 2012, respondi que "aquela moça parecia uma personagem que eu vivi, mas que ficou para trás... uma garota cheia de sonhos, tão forte, mas ao mesmo tempo tão frágil e insegura". Eu estava de malas prontas para me mudar para Macaé, trabalhando no mundo corporativo de Petróleo e Gás, e cheia de crises com a minha segunda graduação, questionando mil vezes se a Psicologia me traria a estabilidade que eu queria. Meu desafio naquele ano passou a ser assistir a filmes em inglês diariamente para praticar. O tempo passou, os desafios foram enfrentados e me formei em 2022.
Hoje, em 2026, olhando para trás com o distanciamento do tempo e a bagagem da psicóloga clínica e quase especialista em neuropsicologia, eu sinto uma vontade imensa de abraçar aquela Luciana de 2012 e contar para ela tudo o que aconteceu depois.
1. A "personagem" nunca ficou para trás: Ela virou destino
Em 2012, achei que a moça que desbravou a Irlanda como Au Pair tinha virado fumaça. Que engano. A psicologia nos ensina que nós não apagamos nossas versões passadas; nós as integramos. Aquela vivência profunda do intercâmbio, os perrengues, a solidão e os regionalismos da Ilha de Esmeralda foram a base de tudo. Tanto que hoje, aquela "personagem" ganhou corpo e voz definitiva: ela é o coração de um dos meus e-books "Jornada Au Pair na Irlanda". A história não acabou; ela virou ferramenta de cura para outras mulheres que cruzam o oceano.
No mesmo texto de 2012, celebrei a notícia de que minha cunhada (hoje, ex cunhada) estava grávida do meu primeiro sobrinho, o Joaquim, que nasceria em fevereiro de 2013. O que a Luciana daquela época estava começando a entender é que cruzar o oceano de volta para casa ganha um significado completamente novo quando escolhemos o afeto.
Poder acompanhar de perto cada fase do crescimento do Joaquim, ver os seus passos e, hoje, construir memórias tão nossas — como os nossos dias de sol e risadas na praia de Grumari — foi um dos maiores fatores que me fez ter a certeza absoluta de que valeu a pena voltar. Estar presente fisicamente na vida de quem amamos, ancorando nossa história na ancestralidade e na família, é um privilégio que nenhuma viagem consegue substituir. O Joaquim foi, e continua sendo, um dos começos mais bonitos da minha nova rota... mas isso também pode mudar, pois eu ainda tenho planos de voar muito alto.
3. A resposta para as crises com a carreira
Para a Luciana que chorava, calava e duvidava se a Psicologia daria certo enquanto se dividia com o RH: deu certo. A transição de carreira não foi um erro; foi o ensaio geral. Os mais de 16 anos de experiência organizacional somados à escuta clínica me deram a estrutura para ter, hoje, um consultório online que atende brasileiros em qualquer parte do planeta, integrando corpo, mente e espírito. A estabilidade que eu buscava não estava em uma empresa específica, mas na autonomia da minha própria escuta.
4. Fazer a vida parecer com os nossos livros favoritos
Eu terminei aquele post dizendo que sempre tentaria fazer a vida se parecer com os meus livros favoritos e que quase sempre seria possível escrever uma continuação. Olhar para o espelho hoje e ver que carimbei 18 países na bagagem, mudei de cidades muitas vezes, acolhi meus vazios e publiquei meu próprio livro na Amazon, é a prova de que a nossa história é o império da nossa liberdade.
O que o seu passado tem para te dizer hoje?
Mudar não exige uma data específica no calendário. A metamorfose começa no exato segundo em que você decide que não cabe mais no papel de antes. Se você hoje está se sentindo frágil, insegura ou questionando as suas escolhas, olhe para a sua história com mais paciência. Você está apenas no meio de um capítulo. A continuação ainda está sendo escrita.
E você? Se pudesse enviar um recado para a sua versão de 14 anos atrás, o que você diria?
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