Diário de uma (Ex) Au Pair - Parte 14
Olhar para as fotos de Natal que ilustram este post me traz um misto de nostalgia e orgulho. Esse mar azul, o sol forte na pele e a linha do horizonte sem fim representam exatamente tudo o que o meu coração clamava quando eu vivia no interior da Irlanda. No calor do intercâmbio, a gente costuma postar as paisagens verdes e os castelos medievais, mas hoje quero resgatar com vocês o lado oculto dessa jornada: o dia em que a saudade física do Brasil bateu de um jeito que chegou a sufocar.
Depois de alguns meses enfrentando o inverno e a rotina fria da Europa, houve um momento em que a ficha caiu e as novidades começaram a perder a graça. Longe da nossa rede de apoio, o corpo e a mente começam a pedir socorro através dos sentidos. E, no meu caso, o ponto de partida foi o paladar.
Eu sentia uma necessidade quase vital da comidinha da minha mãe. Coisas simples, cotidianas, mas que carregam uma quantidade imensa de afeto: um bife acebolado no ponto, o arroz e o feijão fresquinhos, carne seca com abóbora, strogonofe, uma salada colorida e até aquela pizza caseira de final de semana. Pensar em um brigadeiro de panela ou no sabor incomparável de um churrasco brasileiro me dava água na boca e um nó na garganta. Olhar para o prato de empanados e batatas no interior da Irlanda e entender que eu não podia ter o que queria naquele momento foi um grande exercício de resiliência.
Morar fora tem esse poder curioso: ele nos torna profundamente patriotas. A distância limpa o nosso olhar e a comparação com o nosso país se torna inevitável. É no isolamento cultural que a gente realmente percebe a profundidade do amor que sente pelo Brasil, pela nossa gente, pela nossa culinária e pela nossa energia.
Naqueles dias mais cinzentos, tudo o que eu mais desejava era poder me reencontrar com o mar. Dar aquele mergulho gostoso que limpa a alma, sentir o sol de verdade esquentar o corpo e caminhar na areia tomando uma água de coco gelada.
O intercâmbio nos ensina a crescer na escassez do afeto. A gente aprende que, para conquistar nossa independência e colher os frutos da fluência, é preciso aprender a acolher a própria solidão e entender que a saudade nada mais é do que o amor que fica.
E você que também está morando fora ou já viveu essa experiência: qual era a comida ou a paisagem do Brasil que mais te fazia falta?
A saudade também já te fez olhar para o nosso país com muito mais amor?
Deixem seus relatos aqui nos comentários, vamos conversar!
Amiga, sei que a saudade é a arma que pesa mais quando estamos longe da familia e do nosso País como é o seu caso, mas coloca na cabeça que todos estam aqui torcendo por você, pela sua realização pessoal e que logo, logo você estará aqui com agente novamente. Agora falta menos do que faltava, força ai, e se cuida viu!
ResponderExcluirBeijos e saudades :-)
Nossa Lu sinto por você!!! Mas força amiga no final tudo vai valer a pena.....Imagino o quanto esta longe de casa principalmente quando estamos doentes é ruim,você é forte e vai passa!!!
ResponderExcluirBoa Sorte!!!
Beijos.