Revisitando meu Diário: O Peso da Mala e o Desapego da Alma
Em setembro de 2010, eu estava prestes a viver a maior aventura da minha vida: o meu intercâmbio para a Irlanda. Naquela época, compartilhei aqui no blog os meus medos, a lista de roupas que levei e a dor das despedidas. Hoje, em 2026, olho para trás com a maturidade de quem acolheu aquela jovem de 30 anos e convido vocês a revisitarem comigo aquele momento, mas através dos olhos de quem eu me tornei.
Depois de passar o resto do dia finalizando os últimos detalhes das malas, a noite reservava o ato final: um rodízio com alguns dos meus amigos. Entre risadas com rostos tão familiares e o nó na garganta na hora do abraço final, a ficha da partida finalmente começou a cair.
Hoje, em 2026, quando olho para trás, chega a ser estranho pensar que nenhum deles faz mais parte da minha vida. Naquela época, foi tão difícil me despedir... e a verdade é que a muitos deles eu nunca mais vi. Os caminhos se bifurcaram, a distância física virou distância de vida e o tempo seguiu o seu fluxo. Com a bagagem que tenho hoje, eu gostaria de poder voltar no tempo, sentar naquela mesa de rodízio em 2010, abraçar aquela Luciana que chorava e dizer bem baixinho no ouvido dela: “Chora tudo o que tem que chorar, mas não tenha medo. As pessoas entram na nossa vida por uma razão, por uma estação ou por uma vida inteira. Eles foram a estação perfeita para o seu embarque. Esse vazio no peito não é o fim; é apenas o espaço que a vida está abrindo para a sua metamorfose”.
A dor da despedida era o preço do bilhete para o meu novo eu. E, com o coração partido, mas o espírito resoluto, eu estava pronta para voar.
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