Portarlington: O Meu Pedaço de Interior

Depois de mergulhar na vastidão da história do país, convido você a voltar comigo para o lugar que me acolheu naquele período: a cidade de Portarlington.
Escondida no coração do campo e praticamente desconhecida para a maioria dos turistas, ela refletia com precisão séculos de história, arquitetura e o autêntico estilo de vida irlandês. Sem dúvida, essa área é um prato cheio para historiadores e para o visitante que deseja ver o antigo, o novo e o moderno convivendo em poucos quilômetros quadrados.

Um Pouco de História

Fundada em 1666 por Sir Henry Bennet, Portarlington (Cúil an tSúdaire, em irlandês, que significa "o canto do curtidor") é uma cidade localizada no Condado de Laois — que antigamente era chamado de Condado da Rainha. Geograficamente, ela fica bem na divisa entre Laois e o Condado de Offaly (o antigo Condado do Rei). Naquela época de 2010, a cidade começava a se expandir de forma rápida, já que o preço das casas por lá era bem mais atraente do que em Dublin e seus arredores. O censo daquele período registrava uma população pacata, que girava em torno de apenas 7 mil habitantes.

Antes da década de 1660, o verdadeiro centro da vida local era Lea, uma área vizinha que se desenvolveu em torno do famoso Lea Castle, construído por volta de 1260 pela bisneta de Strongbow. Após o castelo ser destruído na década de 1640, as terras que pertenciam aos chefes do clã O'Dempsey foram concedidas a Sir Henry Bennett. Foi ele quem planejou e ergueu a atual cidade de Portarlington, aproveitando a curva natural do Rio Barrow. Protegida pelas águas em três de seus lados, a cidade ganhou um canal artificial na face sul, desenhado estrategicamente para manter afastados os nativos irlandeses que haviam sido empurrados para os pântanos ao redor.

Mais tarde, na década de 1690, a cidade recebeu os huguenotes franceses, calvinistas que haviam fugido da perseguição das guerras religiosas na França e lutado nos exércitos de Guilherme de Orange. Como recompensa por seus serviços, eles receberam terras e imóveis em várias partes da Irlanda, incluindo Portarlington. Esses novos colonizadores trouxeram um toque de sofisticação, com o estilo francês de arquitetura e de vida, construindo suas próprias igrejas e escolas. É por isso que, ainda hoje, quem caminha por lá encontra excelentes exemplos de casas georgianas e vitorianas dividindo espaço com as construções modernas.

Transporte e o Ritmo Local

Se você dependesse de transporte na estrada naquela época, Portarlington podia ser um baita desafio. Como a cidade contava com um serviço ferroviário excelente, o transporte público rodoviário acabou ficando muito limitado. Os ônibus intermunicipais eram operados por empresas particulares e funcionavam em horários bem restritos. Basicamente, existia um serviço local que interligava Portarlington com as cidades vizinhas de Portlaoise e Tullamore.

A vida por lá corria em outro ritmo. Para uma cidade daquele tamanho, havia uma média impressionante de 20 pubs, embora eles nunca ficassem tão lotados quanto os de Dublin.
Outro ponto marcante da minha rotina era o Heritage, um hotel e SPA local. Era lá que eu fazia minhas aulas de spinning todas as terças-feiras. No mais, Portarlington era um lugar pacato e silencioso, com poucos comércios e lojas. Um cenário onde o tempo parecia passar mais devagar — e que, hoje percebo, foi o cenário perfeito para eu começar a processar as minhas primeiras grandes transformações.

Estação de trem em Portarlington


 
Floresta

 






Vista da floresta







People´s Park






Famoso Rio Borrow








 




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