Quando pensamos em Dublin, a primeira imagem que costuma vir à mente é a fachada vermelha icônica do pub mais famoso da cidade. Mas, olhando para trás com a perspectiva de hoje, em 2026, entendo que o Temple Bar é muito mais do que um circuito turístico de cerveja cara; é um sobrevivente histórico que pulsa no coração da capital irlandesa.
Situado na margem sul do Rio Liffey, o bairro é um dos poucos locais de Dublin que preservou quase intacta a sua planta medieval, caracterizada por ruas estreitas, sinuosas e pavimentadas com paralelepípedos. A origem do seu nome ainda divide opiniões: a hipótese mais provável é que derive da família Temple, que residia naquela região no século XVII, embora existam teorias de que tenha sido uma imitação do Temple Bar de Londres. O registro oficial do nome aparece pela primeira vez em um mapa datado de 1673.
Durante o século XIX, a popularidade da região entrou em declínio lento e contínuo. Já no século XX, o Temple Bar sofria com a decadência urbana, repleto de edifícios abandonados. Ironicamente, foi justamente esse abandono que salvou o bairro. A falta de interesse comercial e imobiliário protegeu a área dos construtores civis dos anos 1960, que destruíram grande parte do patrimônio histórico de Dublin em nome da modernização.
Nos anos 1980, uma empresa estatal de transportes propôs comprar e demolir grande parte do bairro para construir um terminal de ônibus urbano. Enquanto o projeto não saía do papel, os prédios adquiridos foram alugados por valores muito baixos.
Esse aluguel barato acabou atraindo pequenas lojas alternativas, artistas independentes, ateliês e galerias de arte. Uma onda de protestos liderada por residentes, comerciantes e até membros do tesouro da Irlanda ganhou força, culminando no cancelamento definitivo da estação de ônibus. Em 1991, o governo irlandês deu um passo histórico ao criar a Temple Bar Properties, uma empresa sem fins lucrativos focada em regenerar o espaço, consolidando-o de vez como o bairro cultural de Dublin.
Hoje, após o anoitecer, o Temple Bar se transforma em um formigueiro humano, com pubs históricos e restaurantes voltados principalmente para os turistas. Áreas públicas como a Meetinghouse Square e a Temple Bar Square foram totalmente revitalizadas. A Temple Bar Square, inclusive, continua abrigando o tradicional mercado de livros usados aos sábados e domingos.
No entanto, vale o conselho de quem viveu a realidade da ilha: ao contrário do que a maioria dos recém-chegados pensa, a vida noturna de Dublin não se resume ao Temple Bar. Embora a região concentre muitos pubs, os locais mais autênticos, alternativos e frequentados pelos próprios dublinenses ficam nos arredores do centro, fora da rota estritamente turística. O Temple Bar é um cartão-postal essencial para se visitar, mas é no resto da cidade que a verdadeira cena local acontece.
Essa dinâmica nos leva ao verdadeiro significado do termo pub, que vem de public house (casa pública). Na Irlanda, o pub vai muito além do consumo de bebida alcoólica. Eles funcionam como verdadeiros centros comunitários, pontos de encontro acolhedores onde vizinhos, amigos e desconhecidos se reúnem para conversar e relaxar em um ambiente descontraído. Cada pub tem sua própria alma e personalidade, variando de estilo de acordo com a região e o público que o frequenta. Conhecer essa cultura de perto, seja no burburinho do Temple Bar ou em um pub silencioso de bairro no interior, é entender a verdadeira essência da hospitalidade irlandesa.
Simplismente linda em todas as fotos!!!!!!!!!!!
ResponderExcluirSaudades d+!
bjusss
Dayane
Olá Day, vc tb é lindaaaaa!! Que saudades de vc riqueza!!
ResponderExcluir"Ausência física, ausência da voz e do cheiro, das risadas e do piscar de olhos, saudade da amizade que ficará na lembrança e em algumas fotos." Martha Medeiros
Adoro vc!!
Bjkssss