A Evolução do Meu Inglês — Do "Bicho do Mato" à Sobrevivência no Interior

Meus amigos sempre me perguntam como está a evolução do meu inglês. Afinal, este é o meu objetivo número um com o intercâmbio! Por isso, decidi abrir o jogo e contar para vocês como tem sido essa caminhada real, sem filtros.

Para vocês entenderem o tamanho do meu desafio, preciso voltar um pouco no tempo. No Brasil, comecei a estudar inglês aos 16 anos, no Curso CNA. Quando cheguei no nível intermediário, desisti. No Ensino Médio eu também tinha aulas, mas era aquele nível bem básico de colégio. Mais tarde, aos 23 anos, resolvi retomar os estudos no Curso Wizard. Fiz apenas dois períodos e desisti novamente, porque achava a metodologia muito cansativa — um arrependimento que carreguei por anos. Fiquei todo esse tempo sem contato algum com o idioma, mas a minha consciência sempre me cobrava: "Preciso voltar a estudar inglês!"

Em 2008, a minha ideia já era fazer um intercâmbio para focar no idioma, mas outros motivos me puxaram para Portugal. E adivinhem? Nunca falei tanto português em toda a minha vida! Se porventura eu falasse algo errado, lá vinha um português prontamente me corrigir. Esse período acrescentou muito à minha vida pessoal, mas, para o lado profissional, não fez grande diferença.

De volta ao Brasil, perdi várias oportunidades excelentes de emprego por falta do inglês no meu currículo. Minha área de atuação é Recursos Humanos, um setor onde o idioma é extremamente exigido. As multinacionais sempre preferem contratar profissionais que falam inglês, pela facilidade de comunicação. Como as maiores empresas estão espalhadas pelo mundo, fica muito mais fácil entender os objetivos, os sistemas e as tarefas quando se domina a língua global. Diante disso, me programei para, enfim, mudar essa história em 2010. Tudo contribuiu a meu favor e, hoje, já estou aqui na Irlanda há quatro meses!

Estar em um país de língua inglesa muda tudo. O idioma se torna habitual, e o aprendizado é muito menos cansativo do que a metodologia engessada dos cursos de sala de aula. O "Sorry" e o "Thanks" já fluem de forma tão natural que, quando eu voltar para o Brasil, com certeza vou precisar de um tempo para me readaptar!

Enfrentando a Insegurança

Confesso que nos primeiros dias a insegurança me travava. O pouco que eu sabia simplesmente não saía. Nesses momentos, meus amigos brasileiros me ajudavam bastante, porque eu sempre me escondia atrás deles e os empurrava para falar por mim. Mas logo percebi uma coisa: nos momentos em que eu estava sozinha ou me via em uma situação embaraçosa, o inglês fluía sim! O meu problema real era o medo de errar.

Lembro que tive muita dificuldade de comunicação em um hostel nos meus primeiros dias em Dublin. Na semana passada, porém, vivi uma experiência muito legal: fiz uma viagem sozinha para Galway e consegui me comunicar perfeitamente no hostel, além de pedir informações no posto de turismo. Algo que, há quatro meses, eu jamais conseguiria fazer sem companhia. É uma sensação muito gratificante!

Aos poucos, fui ganhando chão. Quando comecei a estudar na Euro College, as aulas me ajudaram a relembrar tudo o que eu já tinha visto no passado, mas que estava completamente enferrujado. Mas eu enfrentava um grande obstáculo: eu morava com brasileiros em Dublin, a minha escola estava cheia de brasileiros e Dublin tem brasileiro para todos os lados! Eu estava cercada. E aprender inglês exige dedicação e, acima de tudo, prática.

O Desafio como Au Pair no Interior

Morei apenas um mês na capital. Logo na minha segunda semana na Irlanda, comecei a fazer entrevistas para trabalhar como au pair. Fui reprovada nas duas primeiras por causa do meu nível de inglês. Para piorar, o medo apertava: com a crise que assola a Irlanda, eu tinha pavor de ver meu dinheiro acabar, não conseguir emprego e ter que voltar para casa antes da hora.

Foi quando surgiu uma entrevista no interior do país, em Portarlington, para trabalhar com uma família genuinamente irlandesa (Irish). Geralmente, no interior, eles não exigem um inglês perfeito, porque os estudantes que já falam bem preferem os empregos perto de Dublin. Como eu não tinha muita opção, aceitei o desafio. Fui muito bem recebida pela família! Eles fizeram a entrevista usando o Google Tradutor, o que facilitou a minha vida, e me aceitaram. Mas havia um detalhe: morando no interior, tive que trancar o curso de inglês e focar nos estudos em casa, por conta própria.

Morando com uma família nativa, falar inglês virou questão de sobrevivência. Tive que me virar para entender e ser entendida. É um grande desafio que venço diariamente, sabendo que ainda preciso melhorar muito. No começo, aconteceram vários nós na comunicação; por diversas vezes precisei sair correndo atrás do dicionário ou do tradutor no celular para tentar explicar ou compreender algo.

Todos os dias aprendo uma palavra nova. Como eles não falam uma linha de português, o esforço é obrigatório. E quer saber? Estar longe de brasileiros é o que está me salvando. Nós, seres humanos, temos uma tendência natural de buscar o caminho mais fácil. Fazer sacrifícios em busca de um objetivo é doloroso. Como já contei aqui no blog, morar no interior não é fácil; a tristeza bate, e bate forte às vezes. Mas é necessário. Estou colhendo os frutos desse isolamento.

Na semana passada, minha chefe me elogiou e disse que meu inglês melhorou bastante! Hoje já consigo sentar e bater papo com eles, mesmo cometendo meus erros. No início, eu fugia deles; ficava igual a um "bicho do mato" trancada no quarto, com medo de falar e de me expor. Eles são super pacientes e me corrigem com carinho. Percebi que viver essa rotina com eles vale muito mais do que as 16 horas semanais que eu passava dentro da escola.

É claro que se na minha cidade tivesse um curso seria perfeito, pois aliar a convivência prática com as aulas teóricas me acrescentaria ainda mais. Infelizmente, no momento, não é possível, mas estou contornando isso estudando por Skype com o meu amigo Robson, o que tem dado um resultado excelente. Aproveito para deixar meu agradecimento público a ele! Inclusive, já tive propostas para trabalhar como au pair mais perto de Dublin, mas gosto tanto dessa família que não tenho coragem de deixá-los. Eles fazem tudo o que podem para me agradar, e receber esse acolhimento, segurança e carinho em um momento de tanta fragilidade... Não tem preço!

Conhecimento é Poder

Em plena era da informação, o inglês se torna cada vez mais vital. Aprender esse idioma descortina uma imensa gama de oportunidades, experiências e conhecimentos que antes pareciam inacessíveis.

No mês passado, fiz uma viagem para Paris. Foi muito interessante perceber que nos pontos turísticos e nos hotéis, mesmo sem falar francês, eu era totalmente compreendida falando inglês. Até nas ruas, quando precisava de uma informação, sempre encontrava alguém que conseguia me explicar em inglês. Fiquei pensando: se eu não conseguisse me comunicar minimamente, estaria completamente perdida na França. Sendo a língua mais falada do mundo, a primeira grande vantagem do inglês é essa facilidade de se mover em qualquer lugar. Para uma simples viagem, já faz toda a diferença. Conhecimento é poder, e falar inglês transforma a nossa vida pessoal.

Até na música a gente sente a diferença! Quem entende inglês começa a captar o real significado daquelas canções que fazem sucesso — descobrindo letras maravilhosas ou, às vezes, desistindo de cantarolar um refrão que fala de sentimentos que não têm nada a ver com o que pensamos. Hoje já consigo pescar várias frases nas músicas; ainda não entendo tudo por inteiro, mas sei que chegarei lá!

Até o próximo diário de bordo!

Comentários

  1. Olá Luciana,
    Apenas tenho que lhe dizer muitíssimo obrigada!! Fiquei tão feliz em ter visto o seu comentario no meu blog ;D É extremamente gratificante p mim. Tbm preciso dizer que gostei mto do seu blog, vc conta tudo de uma forma mto espontanea e original. Deve ter mtos seguidores...
    Vi q vc visitou galway, a proxima vez me manda um e-mail, lhe receberei com todo o prazer! Desejo que a sua jornada na Irlanda continue sendo marcante e parabens pelo blog. Um forte abraço,
    Serena;*

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  2. Why don't you post in english? In this way you can practice the language better

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  3. Tenho o enorme prazer de visitar esse blog. Sempre que tenho oportunidade eu entro aqui para acompanhar os posts. Quero nessa oportunidade dizer que tem um selo para esse blog lá no nosso blog. Um grande abraço!

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  4. Olá Cris!!

    Vi o seu comentário no meu blog e adorei, mas não entendi sobre o selo, eu procurei e não achei, rs, mas de qualquer forma obrigada pelo carinho, tb acompanho o seu blog.

    Ahh... estou aguardando o seu depoimento hein!!

    Bjksssss

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  5. muito bom o blog, nao cansou de ler e reler..
    estou indo pra Dublim em 2013, e o blog tem me ajudado mto!

    vc poderia postar um modelo do curriculum

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  6. Oi Luciana, tb sou da area de RH, sou Psicologa, gostaria de saber como você está hoje em dia (2014) se puder manter contato..me dar algumas dicas meu email é carol_fbr@hotmail.com

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