Atualização 2026: O início da Jornada como Au Pair

Lembro-me de escrever no meu blog, com um entusiasmo que transbordava, que o sol finalmente havia começado a brilhar para mim na Ilha Esmeralda. Eu estava na Irlanda havia exatamente um mês e, embora o céu de Dublin estivesse frequentemente cinzento, internamente eu vivia a euforia de quem acabara de encontrar um novo norte.

A busca por trabalho como Au Pair era, na época, um dos temas mais procurados por quem acompanhava meus relatos. Logo que cheguei, fiz meu cadastro através da Greyce, uma agente conhecida entre os brasileiros que intermediava o contato com as famílias, cobrando uma taxa de 200 euros. Era um valor polêmico — muitos achavam um absurdo pagar para conseguir emprego —, mas, independentemente das críticas, foi através dela que as portas se abriram para mim. Para quem não queria ou não podia investir esse valor, já existiam diversos sites gratuitos que também traziam resultados, mas eu sentia que precisava daquele suporte naquele momento.

Antes de o sol brilhar, porém, houve as nuvens. Eu já tinha passado por duas entrevistas frustrantes. O motivo? O meu inglês ainda era muito incipiente, uma barreira que parecia intransponível naquelas primeiras semanas. No dia 29 de outubro de 2010, fui para a minha terceira tentativa, mas desta vez o desafio era maior: a vaga não era em Dublin, mas no interior, a cerca de 45 minutos de trem da capital.

Uma dúvida cruel me assaltou: valia a pena me afastar do epicentro do intercâmbio? Resolvi silenciar o medo e ir à entrevista. No instante em que conheci a família, algo clicou. Fui recebida com uma hospitalidade que desarmou minhas inseguranças. A conversa, é claro, foi um exercício de paciência e criatividade; com a ajuda essencial — e ainda heróica — do Google Tradutor, a entrevista fluiu. Eles não buscavam apenas fluência, buscavam identificação. E houve.

Fui contratada naquele mesmo dia. A alegria foi tão imensa que parecia não caber em mim. A urgência da família era tanta, e o meu desejo de começar era tão grande, que eles mesmos me levaram de volta a Dublin no mesmo dia para buscar minhas malas. Em poucas horas, eu deixava a rotina de estudante na capital para me tornar parte de um lar irlandês.

Naquela época, a internet era o nosso grande mapa do tesouro. Além da agência que utilizei, existiam caminhos alternativos e gratuitos que prometiam conectar estudantes e famílias. Eu mesma pesquisei muito e cataloguei as principais opções daquele ano:

AuPair World: O maior site do segmento, mas que na época me deu um belo banho de água fria — fui recusada logo no cadastro por já ter 30 anos, uma barreira de idade que muitas agências impunham rigidamente.

RollerCoaster.ie: Um fórum de maternidade tipicamente irlandês onde as mães locais costumavam anunciar vagas de última hora.

AuPair in Dublin (Blogspot): Uma iniciativa informal que acabou sendo o canal definitivo onde, ironicamente, encontrei a minha vaga no interior.

AuPair Placement: Outra agência de colocação muito comentada nos fóruns.

Nota da Luciana de 2026: Olhando para trás, como psicóloga, percebo a coragem "cega" e maravilhosa que a juventude nos dá. Ir para o interior de um país estrangeiro, com um inglês ainda em construção, confiando a sua segurança a uma família que você acabou de conhecer através de uma tela de tradução, é um salto de fé impressionante. Naquele dia, eu não contratei apenas um emprego; eu contratei a minha imersão. Aquela decisão de sair de Dublin foi o que realmente permitiu que eu conhecesse a alma da Irlanda e, consequentemente, a minha própria capacidade de adaptação. O Google Tradutor traduzia as palavras, mas o que nos conectou ali foi a linguagem universal da empatia.
Se você está lendo este E-book hoje com o plano de desembarcar na Irlanda, muita atenção: o universo digital mudou drasticamente. Enquanto portais como o AuPair World continuam ativos, a maior parte das buscas atuais migrou para grupos segmentados no Facebook, Instagram e WhatsApp. Mais do que os links em si, o que permanece idêntico de 2010 para cá é a necessidade de checar referências, ter cuidado redobrado com a segurança e manter o faro aguçado para encontrar uma família que respeite os seus limites e os seus horários de estudo.

Phoenix Park

Comentários

  1. Oi Luciana, adorei seu blog!
    Estou encontrando informações muito úteis que vão me ajudar!
    Não tinha pensado em ser Au Pair (achava que era mais comum no EUA e França), mas achei bem interessante.
    Estou indo para a Irlanda em março/2011, para estudar na ISI, em Dublin. Inicialmente as aulas serão pela manhã, será que tem problema em encontrar vagas para o período da tarde? O que acha?
    Estou bem preocupada com todos os assuntos sobre a crise que tenho lido, mas vou encarar! rs!
    Obrigada pela ajuda,
    Tamiris.

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  2. Olá Tami!!

    Tudo bem com vc?

    Adorei o seu comentário, fico feliz em saber que todo o tempo que eu dedico em escrever no blog está ajudando outras pessoas a irem em busca do seu sonho, assim como eu!!
    Lembre-se: SONHO CHAMA SONHO!!

    Se precisar de alguma coisa quando chegar na Irlanda pode me ligar: 0871674824

    Geralmente os alunos estudam de manhã, mas as escolas costumam ser flexíveis com os horários, caso o aluno precise mudar, mas de qualquer forma verifique esta informação com a sua agência.

    Vc vem por qual agência?

    Quanto a emprego, verifique o meu comentário no post: Experiências da Gaby.

    Acredite em você!! Não tenha medo!!

    Atenciosamente,
    Luciana Sousa

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  3. Que ótimo receber sua resposta!
    Li o post da Gaby, menina corajosa!
    Engraçado que lendo, as coisas parecem ser fáceis...
    imagino que na prática o perrengue é outro, né! hehehe
    Mesmo assim vou entrar com o site que vc indicou, sobre Au Pair.
    Vamos atrás de sonhos!

    Estou indo pela agência Egali, aqui de Joinville - SC
    parecem ser bons, foram bem atenciosos na escolha do país.
    Você foi por alguma agência?

    Ah, você está estudando em alguma escolha aí?

    Meu e-mail é tamirisschuelter@gmail.com

    Beijos!

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  4. Oie guria gostei muito do blog. Parabéns pela iniciativa e sucesso por aí. Forte abraços. Zenaide

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  5. Blogger 10 Luciana Sousa, espero ser seu amigo também , chegou ai em julho

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  6. Respondendo as perguntas de uma leitora, para agregar valor a este post:

    - No seu caso por exemplo, vc trancou o curso de inglês isso não interferiu no seu visto de estudante?
    R: Eu tenho passaporte europeu, então tenho visto permanente na Europa.

    - Existe algum contrato por escrito no acordo com a família (au pair)? Caso vc não gostasse da família, poderia sair de lá a qualquer momento?
    R: Na maioria das vezes não existe contrato por escrito entre a família e a au pair, caso vc não se adapte a família pode sair, mas isso pode gerar um mal estar com a família.

    - Lu sob o seu ponto de vista é uma experiência que vale a pena? Quais os pontos positivos e negativos?
    R: Acho que toda e qualquer experiência vale à pena, pois amadurecemos e crescemos com elas, isso é muito importante na minha opinião. Se vc me perguntar se eu faria novamente, eu digo mil vezes que sim, afinal este é o meu segundo intercâmbio. Recomendo que leia os seguintes posts:

    - Trabalhando como au pair
    - Diário de uma au pair I, II, III, IV e V, pois nestes posts eu conto o meu dia a dia como au pair, aí vc avalia se vale ou não à pena na sua opinião.

    - É possivel viajar pela europa durante os 6 primeiros meses ainda de estudante?
    R: Depois que vc estiver com o seu visto certinho, pode viajar sim, basta ter dinheiro e tempo para isso.

    - Quero muito melhorar a fluência, ter dominio da lingua, e sei q isso é possivel, mas isso tb traz renúncia de muita coisa!
    R: Recomendo que leia o post: Evolução do meu inglês. Para vc melhorar o inglês depende exclusivamente do seu empenho e força de vontade.

    OBS: Quando vc quiser deixar comentário, primeiro vc tem que selecionar no campo COMENTAR COMO, o perfil conta do google, aí aparecerá a caixa para vc escrever o comentário, às vezes o google pode solicitar que vc decifre umas letras para ter certeza que não é spam. Tente e depois me conte!!

    Att,

    Luciana Sousa

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  7. Olá Luciana, tudo bem?
    Assim como minha cunhada que também se chama Luciana e tem um Blog chamado morando na minha cabeça, também foi Au Pair, mas no Texas, lembro que ela foi por uma agência daqui do Brasil, já tinha família e tudo certinho. Eu pretendo ir em Outubro deste ano, estou com uma grande dificuldade de escolher a escola, preocupada com moradia, alimentação, vou com pouco recurso, tenho que chegar ai e arrumar trabalho rápido, para me garantir, estou até fazendo um curso de manicure, para poder fazer unha ai (será que tem publico para isso), pensei em levar calcinhas para vender rs..... (falaram que ai ou tem fio dental, ou calçola de velha kkk ), sei lá sou batalhadora, adoro criança, mas tenho medo de pegar uma família rígida, fria, triste, sei lá (medos bobos, mas medos né) acredito que a experiência de Au Pair é muito bom, pois fortalece o inglês, vou ter que ensinar a criança, me comunicar com a família, enfim.... Bom é isso, quero deixar meu e-mail: sibellesandrin@yahoo.com.br, peço que me ajude , não na decisão de ir, pois isso estou certa, mas na opção de escola, as dúvida que tenho em relação ao seguro saúde (que caro? será que tenho que fazer daqui do Brasil devido a imigração, ou se achar necessário eu contrato por aí), bom... acho que é isso por enquanto...escola/ seguro saúde/ acomodação, segurança , au pair .... fico no seu aguardo. Quero também deixar registrado que o seu Blog é DEMAIS! eu quero escrever meu dia a dia também quando eu estiver ai, sabe por que? Muitos precisam da nossa ajuda, e porque tudo que plantamos colhemos sabia? Obrigadoooo Sy

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  8. Olá, Luciana Sousa. Primeiramente quero parabenizar vc pelo seu blog :D
    Bem, eu estou muito doido literalmente para fazer intercâmbio, pesquisei sobre varios países, entre Nova Zelandia, Noruega, Finlandia, mas depois que me deparei com a Irlanda, me apaixonei por ela, e com tudo o que vc tem falado sobre ela eu fiquei mais fissurado em fazer o intercâmbio para a Irlanda. Porém, tenho algumas duvidas e gostaria que vc pudesse me esclarecer, se possivel.
    São elas: É mais complicado para homens arrumarem empregos por ai? Quais os tipos de empregos que os emigrantes homens podem conseguir para se sustentar e estudar também?
    Os homens também podem ser Au Pair?
    E como eu faria para virar aluno em uma escola na qual eu venha a estudar inglês e, consequentemente melhora-lo pois o meu inglês não está nada bom :/

    No aguarde de um feedback seu. Obrigado! :D

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