Será possível conhecer todo o mundo numa só vida?

sábado, 26 de julho de 2014

Crônicas do quotidiano

Gostei muito dos textos abaixo, então compartilho com vocês.

Ficar sozinho às vezes é imprescindível!!

Há sempre o momento de pedir ajuda, de se abrir, de tentar sair do buraco. Procurar um ombro amigo que possa nos ajudar e estar ao nosso lado para nos amparar.
Mas, antes, é imprescindível passar por uma certa reclusão. Fechar-se em si, reconhecer a dor e aprender com ela. Ficar sozinho para refletir sobre tudo que está ocorrendo e por que está sendo assim. Criar coragem e refletir em suas atitudes que o levaram até onde você está... Enfrentar a dor sem atuações. Deixar ela escapar pelo nariz, pelos olhos, deixar ela vazar pelo corpo todo, sem pudores. Pois chorar alivia muitas dores, e mesmo a maior delas. Primeiro a gente tem que refletir e mesmo chorando aprender com elas, mesmo sofrendo tirar algo de legal destas dores. Assim como protegemos nossa felicidade, temos também que proteger nossa infelicidade. Há o momento certo da gente correr ou precisar de ajuda. Mas há momentos em que apenas nós mesmos podemos nos ajudar. Há momentos que devemos ficar sozinhos, só nós e nossa consciência e por pra fora tudo que está engasgado. Todas as dores, e talvez lágrimas...
Não há nada mais desgastante do que uma alegria forçada. Se você está infeliz, recolha-se, não suba ao palco. Disfarçar a dor é dor ainda maior. Mas no momento em que você aceitá-la e refletir você se tornará alguém mais forte que antes pois, por mais forte que seja uma dor ela sempre nos trás uma luz no final, e nos torna com certeza seres humanos melhores e evoluídos. Pois só perante as dores a gente cresce e evolui... Pense bem nisso...
Geisiane Lemos

Crônicas do quotidiano

Marthinha já escreveu que “assim como misturar bebidas, misturar pessoas também pode ser perigoso”. Não acreditava. Sempre pensei que as pessoas queridas deviam colar em nós. Ledo engano.
Só produzo algo relevante quando sozinha na frente do meu [e quando só meu!] note. Preciso da solidão. Do silêncio pra me organizar. Preciso do sossego. De não ser observada. De não ser questionada quando meus risos viram meios-sorrisos. Fico sem graça, vazia quando não tenho tempo pra mim. É como se não houvesse carregado minha bateria e estou ali, fraca, quase desligando, cumprindo funções. É a idade chegando com as manias. Mania de escritora.
A maioria descobre seu talento quando o exercita. Descobri o meu na falta de exercê-lo. Não me restam dúvidas: sou escritora. E isso me é tão latente que não consigo viver sem escrever. Falta-me um pedaço de alma. Escrevo para que o que sinto não se perca. Mas para a alma me ditar as linhas, preciso de sossego. Do contraste do quarto escuro com as marteladas na tela branca.
Fico sufocada quando não escrevo. Aliás, não é a primeira vez que digo: aprendo a escrever crônicas para me desafogar. Contudo, não há como me desafogar se não a sós. Prezo meus momentos de solidão. Minha face heremita. Algumas horas por semana é o suficiente. [Sai de perto, quero ficar sozinha! Não, não aconteceu nada!]
Nunca fui de muitos amigos. Era uma criança fã de revistas, livros, filmes, televisão. Minha mãe se preocupava com meu comportamento “anti-social”. Quero deitar na minha cama e ler um Rubem Fonseca [que também não deve escrever nada quando acompanhado]. Escrever frases soltas no meu note na hora da inspiração sem pedir licença. Ouvir minha pasta repleta de Paulinho Moska, Zeca Baleiro e Maria Rita. Me quero de volta por algum tempo. Quero a cultura que sempre me alimentou a alma. Me sinto burra porque não leio há quase um mês. Não escrevo. Não ouço minhas músicas. Cadê eu?
Não realizo o Flaubert escrevendo Bovary em meio ao caos, com uma companhia por perto falando, disputando seu instrumento de escrita. Impossível. Nem Carpinejar sem o isolamento do seu escritório daonde não escuta o ruído dos filhotes [para quem escreve]derrubando a casa. Escrever é um ato completa e absolutamente solitário. É como chorar. Cada uma das lágrimas que me rola ou linha teclada aqui é só minha. Me deixe em paz para que produza. Me deixe no silêncio de meus gritos internos. Cada palavra é um pedaço de alma. Não se manifesta em meio ao caos externo.
E não, definitivamente, minhas companhias não são enfadonhas. Muito antes pelo contrário. É a melhor companhia que poderia ter. Entretanto, às vezes tenho necessidade de mim. Não desejo ser ninguém se não eu mesma. Por isso preciso visceralmente de momentos de solidão. Para me esvaziar ou me preencher. Apenas ficar na minha companhia. Não está só quem está consigo mesmo. E fim.

Autora desconhecida

4 comentários:

  1. Muito bom!


    Fez-me lembrar da Clarice Lispector. A escrita como refúgio e auto-afirmação. A solidão como companheira...

    Saudações
    Carlos Crysostomo.

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  2. Ola meu nome é Lara Martinhi e adorei as suas materias sobre falsas hots family e gostaria que me indicasse algo seguro pra eu podrr atuar nessa area, eu preciao ficar fluente, ficaria mais do que grata desde ja! Obrigada pela atencao!!!

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  3. Muito bom mesmo Luciana! Meu nome é raquel e tenho acompanhado os seus blogs e li uma entrevista que você deu a respeito de sua experiencia na Irlanda. Também possuo passaporte português e cidadania portuguesa. Atualmente trabalho na área de Rh no Brasil e estou terminando MBA em gestão de pessoas. Tenho vontade de ir morar na Irlanda,porem gostaria de saber como são as oportunidades na area. Você comentou que trabalhou como au pair. Como são as oportunidades de trabalho na Irlanda?

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